É difícil cumprir a lei a respeito do deficiente físico
(leia a materia sobre o flautista)Segunda-feira, 03 de Setembro de 2001
Que garante emprego para deficientes nas empresas; poucos têm preparo
O Brasil já tentou criar cotas de empregos para deficientes físicos. Existe até uma lei federal que garante as vagas. Mas as empresas dizem que está difícil cumprir a lei.
Edson queria ser advogado, mas hoje vende bala na rua. Quando era criança, ficou paraplégico num acidente de carro e conseguiu estudar apenas até a quarta série do ensino fundamental. “As escolas não eram adaptadas, eram longe, em subida, não pude estudar”, revela ele.
A dificuldade para estudar em escolas sem infra-estrutura adequada é uma realidade vivida pela maioria dos brasileiros deficientes como Edson. Para dar a eles uma chance no mercado de trabalho, uma lei prevê que toda a empresa com ate 200 funcionários tem de reservar 2% das vagas para deficientes; entre 200 e 500 funcionários, 3%; de 500 a mil, 4% e daí em diante, 5%.
Mas até agora poucas empresas conseguiram pôr em prática o que está no papel. Alegam que têm dificuldades de encontrar deficientes com diplomas de ensino médio e fundamental exigidos para a maioria dos cargos. “O mercado de trabalho está mais aberto, mas muitas das vezes nós não temos o pessoal, a pessoa qualificada para ocupar a vaga”, revela Patrícia Garcia, psicóloga da assoc. dos paraplégicos de Uberlândia.
A associação de paraplégicos de Uberlândia criou um banco de emprego para os portadores de deficiência física. Os funcionários passam o dia à procura de vagas nas empresas. Há um ano, 200 candidatos se inscreveram, mas só 75 estão trabalhando. Esta central de telemarketing em Uberlândia só contratou 20% do que pretendia.
“Hoje nós temos cerca de 40 associados, talentos humanos do nosso quadro, mas a gente gostaria de ter, 200, 300, 400, porque nós temos serviço para todos”, afirma Divino de Souza, diretor da empresa.


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