Idosos e Deficientes : À espera de dias melhores ...
À espera de dias melhores

Tercílio Joaquim Matos, 62 anos
Acostumado a dirigir os carros da oficina mecânica onde trabalha, em Valparaíso, Tercílio Matos concluiu na manhã de quarta-feira que não pode depender do transporte coletivo. Das 7h25 às 8h17 daquele dia, nenhum ônibus que cobra R$ 1,10 pela passagem passou pelo ponto situado em frente ao posto II do Corpo de Bombeiros, na BR-040.
Tercílio precisava de um ônibus que o levasse até o Setor Sul do Gama, onde teria uma consulta dentária. Esperou sentado, durante 53 minutos. Resultado: perdeu a hora. ‘‘É difícil. As empresas só rodam com as linhas mais lucrativas. Cadê o governo para fiscalizar?’’, pergunta.
A resposta é bem simples. Não existe fiscalização. Apesar do Ministério dos Transportes ter convênios assinados com o Departamento Metropolitano de Transportes Urbanos e com a Polícia Rodoviária Federal, o acordos de cooperação ainda não saíram do papel. Ninguém fiscaliza horários e itinerários dos ônibus do Entorno. ‘‘Por escassez de pessoal, agimos somente a partir de denúncias’’, explica Márcio Mendes Soares, coordenador de Transportes Rodoviários da Secretaria de Transportes Terrestres do Ministério dos Transportes. O telefone para reclamações é 0800610300.
Sebastião Pedrozo, 73 anos
Com aposentadoria de um salário-mínimo por mês, o jardineiro Sebastião Pedrozo vive numa casinha de quatro cômodos na área central de Águas Lindas. Há 20 anos na cidade, ele tem na ponta da língua a situação do sistema de transporte público no município. ‘‘Aqui é complicado. Os ônibus andam lotados e nem sempre deixam o idoso andar de graça, como no Distrito Federal.’’
Duas vezes por semana, quando faz bicos em jardins de Taguatinga, Sebastião vive o drama de depender de ônibus. Por volta de 7h da manhã, é praticamente impossível entrar em um coletivo no ponto em frente ao supermercado Tatico. ‘‘São poucos os que param. Não adianta dar sinal.’’
O jardineiro só conseguiu pegar um ônibus depois de 13 minutos. Subiu num coletivo da viação São Vicente. Depois de mostrar a carteira de identidade ao motorista, ele entrou pela porta de trás. Não precisou pagar a passagem. ‘‘O funcionário que não levar deficiente ou idoso, nós mandamos embora’’, afirma Antônio Sobrinho de Góis, fiscal de tráfego da empresa.
Sebastião da Silva Barros, 32 anos
A família vibrou. Ele ficou empolgado. Quando o ex-ministro dos Transportes Eliseu Padilha lançou o passe livre interestadual para deficientes carentes, em maio do ano passado, a notícia foi comemorada pelos familiares de Sebastião da Silva Barros, portador de deficiência mental. Era prenúncio de dias melhores para o rapaz. ‘‘Achávamos que ele teria o mesmo benefício dos portadores de deficiência do Distrito Federal’’, diz a irmã Sandra, 37.
Quase dez meses depois, a lei ainda não saiu do papel para aquela família. Mesmo apresentando todos os documentos necessários, ele não recebeu o passe livre até hoje. ‘‘Falam para a gente aguardar. Alegam que são muitos pedidos e que deve demorar um pouco’’, fala Sandra.
Enquanto o documento não sai, Sebastião apresenta um passe de deficiente, válido nos ônibus urbanos do Distrito Federal, para tentar não pagar passagem. A maioria dos motoristas não aceita. ‘‘São poucos os que deixam eu entrar de graça’’, diz ele.
Sebastião anda diariamente de ônibus. Sai de casa, em Águas Lindas, às 7h da manhã e só volta no fim do dia. Ele faz tratamento no Hospital São Vicente de Paula, em Taguatinga, que atende pessoas com problemas mentais. Uma das tarefas é pintar panos de pratos na serigrafia do hospital.
Ozéas de Oliveira
http://www2.correioweb.com.br/cw/2002-02-25/cab_105903.htm#

Tercílio Joaquim Matos, 62 anos
Acostumado a dirigir os carros da oficina mecânica onde trabalha, em Valparaíso, Tercílio Matos concluiu na manhã de quarta-feira que não pode depender do transporte coletivo. Das 7h25 às 8h17 daquele dia, nenhum ônibus que cobra R$ 1,10 pela passagem passou pelo ponto situado em frente ao posto II do Corpo de Bombeiros, na BR-040.
Tercílio precisava de um ônibus que o levasse até o Setor Sul do Gama, onde teria uma consulta dentária. Esperou sentado, durante 53 minutos. Resultado: perdeu a hora. ‘‘É difícil. As empresas só rodam com as linhas mais lucrativas. Cadê o governo para fiscalizar?’’, pergunta.
A resposta é bem simples. Não existe fiscalização. Apesar do Ministério dos Transportes ter convênios assinados com o Departamento Metropolitano de Transportes Urbanos e com a Polícia Rodoviária Federal, o acordos de cooperação ainda não saíram do papel. Ninguém fiscaliza horários e itinerários dos ônibus do Entorno. ‘‘Por escassez de pessoal, agimos somente a partir de denúncias’’, explica Márcio Mendes Soares, coordenador de Transportes Rodoviários da Secretaria de Transportes Terrestres do Ministério dos Transportes. O telefone para reclamações é 0800610300.
Sebastião Pedrozo, 73 anos

Com aposentadoria de um salário-mínimo por mês, o jardineiro Sebastião Pedrozo vive numa casinha de quatro cômodos na área central de Águas Lindas. Há 20 anos na cidade, ele tem na ponta da língua a situação do sistema de transporte público no município. ‘‘Aqui é complicado. Os ônibus andam lotados e nem sempre deixam o idoso andar de graça, como no Distrito Federal.’’
Duas vezes por semana, quando faz bicos em jardins de Taguatinga, Sebastião vive o drama de depender de ônibus. Por volta de 7h da manhã, é praticamente impossível entrar em um coletivo no ponto em frente ao supermercado Tatico. ‘‘São poucos os que param. Não adianta dar sinal.’’
O jardineiro só conseguiu pegar um ônibus depois de 13 minutos. Subiu num coletivo da viação São Vicente. Depois de mostrar a carteira de identidade ao motorista, ele entrou pela porta de trás. Não precisou pagar a passagem. ‘‘O funcionário que não levar deficiente ou idoso, nós mandamos embora’’, afirma Antônio Sobrinho de Góis, fiscal de tráfego da empresa.
Sebastião da Silva Barros, 32 anos

A família vibrou. Ele ficou empolgado. Quando o ex-ministro dos Transportes Eliseu Padilha lançou o passe livre interestadual para deficientes carentes, em maio do ano passado, a notícia foi comemorada pelos familiares de Sebastião da Silva Barros, portador de deficiência mental. Era prenúncio de dias melhores para o rapaz. ‘‘Achávamos que ele teria o mesmo benefício dos portadores de deficiência do Distrito Federal’’, diz a irmã Sandra, 37.
Quase dez meses depois, a lei ainda não saiu do papel para aquela família. Mesmo apresentando todos os documentos necessários, ele não recebeu o passe livre até hoje. ‘‘Falam para a gente aguardar. Alegam que são muitos pedidos e que deve demorar um pouco’’, fala Sandra.
Enquanto o documento não sai, Sebastião apresenta um passe de deficiente, válido nos ônibus urbanos do Distrito Federal, para tentar não pagar passagem. A maioria dos motoristas não aceita. ‘‘São poucos os que deixam eu entrar de graça’’, diz ele.
Sebastião anda diariamente de ônibus. Sai de casa, em Águas Lindas, às 7h da manhã e só volta no fim do dia. Ele faz tratamento no Hospital São Vicente de Paula, em Taguatinga, que atende pessoas com problemas mentais. Uma das tarefas é pintar panos de pratos na serigrafia do hospital.
Ozéas de Oliveira
http://www2.correioweb.com.br/cw/2002-02-25/cab_105903.htm#


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