Lutando contra o preconceito (e lucrando)

Sexta-feira, 01 de Dezembro de 2000
Dezesseis milhões de brasileiros são portadores de algum tipo de deficiência física, sensorial ou mental. Desse total, 9 milhões estão em idade de trabalhar. Apenas duzentos mil trabalham com carteira assinada. O repórter Rodrigo Vianna mostra que nas principais capitais do país, muitas empresas estão enfrentando o preconceito - e lucrando.
Ninguém melhor do que eles para saber trabalhar na escuridão. Há 20 anos, Nélson e Salvador revelam imagens que não enxergam, mas que ajudam a salvar vidas. Nélson, por ser cego, diz que “tem mais habilidade para trabalhar no escuro”.
Os dois trabalham com radiografias no hospital Beneficiência Portuguesa - administrado por um dos maiores empresários do país, Antonio Ermírio de Moraes que diz que "se começar, cada empresa contrata um, dois, a reação em cadeia é muito grande".
Mas ainda há muita dificuldade.
O Renato Laurenti, pesquisador, diz que "o mercado de trabalho ainda está muito restrito, porque parece que as pessoas têm medo, acham que deficiente vai dar trabalho", porém, ele continua, está se começando a quebrar tabus...”(a pessoa ) pode não estar andando, pode não estar caminhando...mas a cabeça continua ativa".
Renato ficou sem trabalhar durante 16 anos. Desde que um acidente de carro o levou para a cadeira de rodas.
A amiga, dona de uma pequena empresa, percebeu o tamanho do desperdício. A empresária Elisa Campos diz que "a gente fez um acordo no começo, pra ver se ia dar certo...e deu!"
Renato abastece um banco de dados sobre educação e faz reportagens para um site na internet. A tecnologia permitiu trazê-lo de volta ao mundo da produção.
No caso de Róbson não foi preciso tanto. Bastou um convênio entre a Associação de apoio aos deficientes mentais e o supermercado que o contratou.
Robson é um caso muito raro. Dos 9 milhões de deficientes em idade de trabalhar no Brasil, só 2% conseguem emprego assim, com carteira assinada e tudo. A grande maioria depende de ajuda ou faz bicos pra sobreviver. Quem estuda o assunto diz que não precisaria ser assim.
Em países como Japão, Estados Unidos e Alemanha, mais de 30% dos deficientes físicos e mentais estão trabalhando.
No Brasil, a lei estabelece que empresas com mais de 100 funcionários têm que reservar de 2 a 5% das vagas para deficientes.
Mas a maioria não cumpre a regra.
Essa gerente de uma agência de empregos diz que os empresários não sabem o que estão perdendo. Luiza de Paula, gerente de projetos sociais, diz que "quando recebem oportunidade de emprego, eles têm força de vontade maior do que qualquer outra pessoa.”
O professor José Pastore, especializado em relações do trabalho, estudou o assunto durante três anos e diz que
"o mundo vai conhecer a almas dos portadores de deficiência com grande surpresa. Vai ver que eles podem dar grande resultado, inclusive do ponto de vista econômico.”


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