Thursday, March 23, 2006

Pacientes sofrem no Hospital Regional do Gama - publicado por Ozéas de Oliveira - Conselheiro de Saúde no HRG


Além da doença, comunidade tem que enfrentar a falta de médicos

O diretor da Regional de Saúde do DF, Carlos Henrique Teófilo, enviou à Secretaria de Saúde, no último dia 19, o pedido de exoneração do cargo. “Não vejo saída para resolver os problemas do Hospital Regional do Gama (HRG) e, como não dá para conviver eticamente com a situação, prefiro entregar o cargo”, afirma. Segundo Teófilo, o remanejamento de médicos para outros programas de saúde é a principal causa da redução do corpo clínico no hospital. “A única saída seria a contratação de pessoal, mas como não vejo isso acontecendo, vai ficar difícil. Os médicos que ficaram estão esgotados”, diz.
Teófilo lembra que o HRG atende, além dos moradores do próprio Gama, a população do Recanto das Emas, Santa Maria e 22 cidades do Entorno, sendo três de Minas Gerais e 19 de Goiás. “É o único hospital do cone sul do DF e a demanda vai além capacidade de atendimento”, afirma. Em nota, a Secretaria de Saúde afirma que o secretário José Geraldo Maciel já recebeu a carta de exoneração de Teófilo e que “que oportunamente conversará com o diretor demissionário”.
A Tribuna do Brasil já havia recebido, na terça-feira, uma denúncia de que a falta de médicos no HRG revolta os pacientes, que são obrigados a esperar por horas o atendimento. Na quarta-feira, uma equipe de reportagem passou o período da manhã no Pronto Socorro do hospital e constatou a lentidão no atendimento e o desconforto na longa espera por uma consulta. Às 10h, já se observava que dezenas de pessoas estavam em pé esperando serem chamadas pelo funcionário que controlava a entrada para o corredor onde ficam os consultórios. De 30 em 30 minutos, aproximadamente, alguns nomes eram chamados e novamente a porta se fechava. No corredor, a espera continuava e, se no hall de entrada já havia poucos bancos para acomodar os pacientes, lá o número de bancos era menor ainda.
No balcão de triagem do hospital, os pacientes preenchem uma ficha que indica a especialidade médica pela qual procuram. O procedimento é rápido e em poucos minutos a ficha já chega às mãos do funcionário responsável por chamar os pacientes pela ordem de chegada. Segundo informações de funcionários do hospital, ontem, havia na emergência três médicos ortopedistas, um cardiologista, um pediatra e um clínico geral, sendo que, no horário de almoço, o corpo clínico ficou ainda mais reduzido. Segundo um funcionário, identificado apenas como Cláudio, na terça-feira não havia nenhum clínico no hospital e por isso muitos pacientes precisaram voltar para casa sem atendimento.
Ainda por meio de nota, Maciel esclarece que “em 2005 a Secretaria realizou concurso público para a contratação de 825 novos médicos, dos quais neste início de 2006 já foram chamados 394 nas diversas especialidades”. O secretário informa, ainda, que no caso de, clínicos gerais, ginecologistas e pediatras, a prioridade é dos centros de saúde, já que “80% dos casos apresentados pelos pacientes que procuram os hospitais podem ser resolvidos nos centros desde que estes ofereçam as três especialidades”. Depois de se completarem os quadros dos centros, os médicos serão distribuídos nos hospitais.

Horas na fila da emergência

O pintor de paredes Hélio Alves, 50 anos, acompanhava a esposa Janizete, 48 anos, que tem diabetes e ainda sofre de pressão alta. “Estamos esperando desde às 7h e já são 12h e nada. Quando não tem médico, em vez de os funcionários avisarem o pessoal, eles ficam dando esperança e dizendo que o médico já vai chegar”, conta Hélio. Quando questionado por alguns pacientes sobre a previsão de atendimento, Cláudio disse que não poderia fazer idéia porque tinha paciente esperando desde às 6h e que ainda não tinha sido atendido. A essa altura, já passava das 11h, e enquanto as horas iam passando o hall de entrada do Pronto Socorro ficava cada vez mais cheio. Para conseguir um banco para sentar era preciso muita agilidade para, quando alguém se levantasse, correr para não perder o lugar.
Enquanto a diarista Eunice da Silva, 48 anos, estava há três horas sentindo tonturas, dores pelo corpo e cansaço por causa de uma anemia, uma outra paciente, que não quis se identificar, tentava fazer com que o funcionário responsável por chamar os pacientes para o atendimento passasse a sua ficha para frente. “Acho que ele vai me ajudar porque conhece a minha irmã”, conta a paciente. O funcionário pediu para ela esperar e não deixou claro que iria atender o seu pedido. “O povo fica largado aqui no hospital e se alguém morrer esperando, ninguém nem vai perceber”, diz Eunice. O vigilante Francisco Gomes, que também esperava atendimento, desabafa: “Cachorro de madame é tratado melhor do que a gente”.

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