Friday, March 24, 2006

A vida do eleitor deficiente físico



Sexta-feira, 30 de Agosto de 2002

Eleição especial






A última "história do voto" mostra como é a vida do eleitor deficiente físico. Para facilitar, as 406 mil urnas eletrônicas espalhadas pelo país têm o alfabeto braile.

Não é porque o eleitor não vê que ele não sabe escolher o melhor candidato. Não é porque tem dificuldade de andar, que deixa de exercitar o direito do voto. A quinta reportagem da série "Histórias do Voto" foi preparada pela repórter Maria Paula Carvalho e mostra como os deficientes físicos estão empenhados em votar certo.

O glaucoma, que tirou a visão de Carlos Augusto há sete anos, não impede que ele enxergue problemas que quer ver resolvidos. “Primeira solução, tentar dar dignidade à uma camada muito grande da população, que tá fora de qualquer tipo de possibilidade para ter cidadania, dignidade como ser humano, problema da distribuição de renda”, pondera Carlos Augusto Pereira, funcionário público.


Desejos que serão levados em conta na hora de digitar os números dos seis candidatos escolhidos. Para tornar esta tarefa mais fácil, as 406 mil urnas eletrônicas espalhadas pelo país têm o alfabeto braile. Algumas dispõe também de um programa de áudio que orienta o deficiente visual.


Mas este exercício de cidadania começa, bem antes do dia 06 de outubro. “Tem que assistir um programa político, tem que assistir um debate, ela tem que procurar se informar. Porque tem gente que vai votar e nem sabe porque tá votando”, aconselha Elane Cristina Malaquias, estudante.


Pode parecer estranho, mas o conselho para "assistir" à propaganda eleitoral vem de quem nada vê além da escuridão. Neste grupo, todos são deficientes visuais. Parte de um contingente de dois milhões de eleitores que não vêem os candidatos, e nem por isso deixam de conhecê-los.


"Se ele fala gaguejando demais ou ele não sabe o que está falando ou ele simplesmente está mentindo sobre o que está falando”, aponta Evanoilson Simão de Mello, estudante. E até o ouvido mais atento pode cair nas armadilhas do convencimento.


“Da mesma forma que as pessoas se encantam e se seduzem pela beleza física, pelo porte, a gente também se encanta pela voz pela forma de falar, o que as vezes escamoteia a realidade que ele quer dizer”, explica Victor Alberto Silva Marques, professor.


Então, para depositar confiança na pessoa certa, melhor mesmo é prestar atenção ao conteúdo, a cada palavra que forma um programa de governo. “Coisas que eu imagino que sejam exequíveis, né, se eu ver que você consegue realizar aí tem o meu apoio, agora se eu ver que é uma coisa assim meio fantasiosa já é um passo para o cara perder o meu voto”, afirma Francisco Rocha, estudante.


Facilitar o acesso dos deficientes às urnas é uma das preocupações da Justiça Eleitoral. Para não reuni-los num local específico, prática que considera discriminatória, o TRE do Rio fez um levantamento entre os 11 mil eleitores deficientes do estado. Eles foram redistribuídos dentro das próprias zonas eleitorais onde já estavam cadastrados, só que agora vão votar nas seções onde existam rampas de acesso e o menor número possível de eleitores.


Foi um passo importante para Roberto Quintanilha, que perdeu parte dos movimentos das pernas depois de ser atingido por um tiro. Na última eleição não votou. Enfrentava o tratamento que incluiu duas cirurgias e muita fisioterapia. Os médicos disseram que ele nunca voltaria a andar. Hoje, com a mesma confiança com que abandonou a cadeira de rodas, quer mudar o lugar onde vive por meio do voto.


“Você tem que acreditar , você tem que ter esperança que este mundo, este país, esta cidade a nossa situação pode melhorar então isso que me move a ir lá”, diz Roberto Quintanilha, estudante.

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