Despertando a vida em crianças especiais

Picarelli apóia trabalho da Apae para despertar vida em deficientes
Quem observa a pequena Sarah Rodrigues, de 1 ano e 3 meses, recebendo atendimento das profissionais de saúde do CAMS (Complexo de Atendimento Multidisciplinar de Saúde) da Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), sequer imagina que os médicos deram à ela apenas 24 horas de vida, após seu nascimento. Vinte dias antes de conceber Sarah, Juliana Rodrigues Reis ficou sabendo que a filha nasceria com holoprosencefalia (ausência de uma parte do cérebro), mas não se abateu: decidiu mudar sua vida num giro de 180 graus.
“Os médicos disseram que não era para eu ter expectativa alguma. Mesmo assim decidi ter minha filha e hoje vejo que fiz o certo. Quando ela estava com três meses de vida comecei a levá-la até o CAMS e desde então, seu quadro está estacionado. Se ela não estivesse sendo atendida, acredito que estaria bem debilitada”, confessa Juliana.
No caso de Ismael Yuri Yafuso, de 3 anos, filho de Aline Yafuso, a situação foi outra. Antes do nascimento do filho, Aline ficou sabendo que ele nasceria com hidrocefalia (água no cérebro), contudo, praticamente dois anos depois ela foi descobrir que Yuri também era acometido da síndrome de west (flexões de contração que levam a criança a um retardo mental). “Quando ele nasceu ninguém nunca me disse onde poderia procurar ajuda. Somente há um ano eu fiquei sabendo da Apae e decidi procurar tratamento. Ele evoluiu bastante, agora está até sentando e movimentando os braços”, comemora Aline.
Conforme o médico pediatra Alberto Cubel, diretor-técnico de saúde do CAMS, o atendimento às crianças da Apae é feito de maneira bastante especial. “Aqui as crianças contam com atendimento de fisioterapeutas, enfermeiros, terapeutas ocupacionais, nutricionistas, neuropediatras, entre outros. A maioria das crianças apresenta paralisia cerebral ou síndrome de down. Aqui damos aconselhamentos aos pais destas crianças, além de propiciar um atendimento de qualidade”, destaca Cubel.
O fisioterapeuta Paulo Okumoto, diretor-administrativo do CAMS, fala que diariamente são atendidas cerca de 800 crianças no local. Ele também comenta sobre a outra unidade da Apae, situada no bairro Santa Branca, local onde funciona o Cedeg (Centro de Educação Especial Girassol). No Cedeg os alunos aprendem matérias básicas como português e matemática. Atualmente os dois centros da Apae contam com 10 fisioterapeutas, 6 fonoaudiólogos, 5 psicólogos, 6 terapeutas ocupacionais, 3 neuropediatras, 2 ortopedistas, 2 pediatras, 2 enfermeiros, 2 assistente-sociais e 2 nutricionistas.
“Os pais de crianças com deficiência podem procurar o CAMS e aqui estaremos fazendo uma triagem e detectando o problema. Com isso elaboramos um sistema de atendimento para que a criança seja atendida em todas as áreas, mesmo que não necessite”, revela Paulo, atentando para o fato de que no local circulam em média 180 crianças por dia.
O CAMS está localizado na rua Padre João Crippa, no bairro São Francisco e o atendimento é feito de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 11h30 e das 13 às 17 horas.
Projeto – O deputado estadual Maurício Picarelli, líder do PTB na Assembléia Legislativa, tem um projeto de lei de sua autoria e que dispõe sobre assistência especial às parturientes cujos filhos recém-nascidos sejam portadores de necessidades especiais ou patologias crônicas, que impliquem em tratamento continuado, constatadas durante o período de internação para o parto.
Picarelli explica que a assistência especial consistirá basicamente na prestação de informações por escrito à parturiente ou a quem a represente, sobre os cuidados a serem tomados com o recém-nascido por conta de sua deficiência ou patologia, bem como o fornecimento de listagem das instituições públicas e privadas especializadas na assistência a deficientes.
O projeto está tramitando na Assembléia e aguarda aprovação dos deputados.


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