Tuesday, July 04, 2006

Brasília, uma cidade desumana

Alexnaldo Lima tem dificuldades para subir no ônibus
Por causa das seqüelas deixadas pela paralisia infantil, o escriturário Carlos Alberto de Fontes só consegue andar de bengala. Um apoio que nem sempre é suficiente para ele se sentir seguro quando circula pelo Plano Piloto. “Estamos no centro da capital federal e um deficiente tem de passar por situações constrangedoras. Na semana passada, sofri uma queda ao subir uma rampa nas passarelas do Eixão. É uma vergonha”, reclamou.

Uma lei federal de dezembro de 200 diz que a urbanização e o planejamento das vias públicas devem ser concebidos e executados para dar acesso aos portadores de necessidades especiais ou pessoas que tenham mobilidade reduzida. Isso é o que diz a teoria.

O auxiliar administrativo Alexnaldo Lima conhece bem a teoria e a prática. Não é raro ter que dividir a pista com os carros por falta de rampas. Para não depender tanto dos outros, ele mandou fazer uma cadeira especial de alumínio, que é mais leve. Mas ele ainda faz bastante esforço. “Os acessos são complicados. Não tem como ter uma locomoção sem problemas. Temos de nos arriscar nas pistas”, disse.

O trajeto diário entre Sobradinho e o Plano Piloto é sempre feito de ônibus. Mais uma dificuldade: a frota não é adaptada. Se o ônibus parar perto da calçada é impossível entrar. Tem que ficar mais afastado do meio-fio. Obstáculos que Luís Maurício dos Santos e Ubiraci de Carvalho tiveram que aprender a ultrapassar há pouco tempo. Eles ficaram paraplégicos depois de um acidente de trânsito. E para enfrentar a cidade de cadeira de rodas não foi fácil.

“Para uma pessoa se locomover em uma cadeira de rodas é muito complicado. As condições são adversas. Muitos buracos e passarelas mal feitas. É muito difícil ser deficiente em Brasília”, afirmou Ubiraci de Carvalho.

Além das barreiras entre a teoria e a prática da lei, além dos obstáculos que impedem o direito de ir e vir, os portadores de necessidades especiais ainda esbarram na falta de respeito. Na hora de ir embora, Luís Maurício e Ubiraci não conseguiram entrar no carro por que o motorista do lado estacionou onde não podia.

“O cidadão estaciona o carro em cima de uma faixa que é proibida. Esse é o desrespeito que enfrentamos todos os dias”, disse Luis Maurício dos Santos.

Data : Segunda-feira 03 Julho 2006 - DFTV 1ª Edição



Reportagem





Rafael Monaco / Maurício Barini

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