Monday, July 10, 2006

Perseverança sobre rodas

Autor: Danielly Viana

Gerdan Wesley


Falta de recursos ameaça associação que auxilia grupo de deficientes no Gama




Após um acidente de motocicleta em 1998, a vida do policial militar Luiz Maurício Alves dos Santos, 39 anos, mudou radicalmente. Uma lesão medular o deixou paraplégico e, a partir desse momento, ele observou que as barreiras e dificuldades no dia-a-dia são difíceis de serem ultrapassadas. Entretanto, Santos não desistiu e resolveu, ao lado de um grupo de deficientes, montar a Associação dos Deficientes do Gama e Entorno (ADGE), hoje com 530 deficientes cadastrados. A entidade, entretanto, passa por dificuldades para manter os trabalhos sociais realizados desde 2001.
"Vivemos de doações. Ajudamos e apoiamos os deficientes mais carentes que não têm condições financeiras, mas a situação está difícil", desabafa Santos - presidente da ADGE. Devido à falta de verba, até o telefone da associação (que antes servia para realizar o serviço de telemarketing com o objetivo de arrecadar fundos) foi cortado. Mas isso não intimida os associados, que lutam para orientar outros deficientes sobre os seus direitos. Entre eles, a política de fornecimento gratuito de ortose e prótese pelo governo, cesta-básica aos mais carentes e obrigatoriedade de empresas com mais de 100 funcionários de reservar em seu quadro entre 2% e 5% de vagas para deficientes.
"Muita gente não sabe de seus direitos", lamenta Santos. Segundo ele, quando a ADGE foi criada, a sede funcionava em sua casa, mas desde 2005 a Administração do Gama cedeu um espaço no Salão Comunitário (quadra 4 do Setor Sul do Gama), onde os associados realizam diversas atividades, mas que atualmente já precisa ser ampliada: "Precisamos de material de construção como ferragens, tijolos, cimento, areia e tinta".
A ADGE conta hoje com um time de basquete de cadeirantes batizado como Águias do Gama. Além disso, desenvolve um projeto de produção de cestas de banho feitas de papel jornal, o que ajuda um grupo de deficientes carentes. "As cestas estão sendo vendidas na ABC Papelaria, que nos faz a doação da cola, e também será fornecida a uma rede hoteleira", contou. Além da papelaria, a entidade conta com o apoio de duas outras empresas: a Disbrave, que disponibiliza um carro para transporte de material, e a Cinfel, no fornecimento de verniz para ser aplicado nas cestas como acabamento final.
Segundo Santos, cerca de 30 deficientes são assistidos pela entidade, com fraudas, cestas básicas e material de uso diário - como sonda, coletores e gases. "Estamos para receber nos próximos dias uma máquina para confecção de fraudas; uma doação do Centro Espírita Nosso Lar. Mas não temos como comprar a matéria-prima para fabricar as fraudas".

Um orgulhoso restaurador de cadeiras

Antônio Manoel de Sousa, 27 anos, pode ser considerado um exemplo de determinação. Deficiente físico, faz parte da ADGE e tenta, dentro do possível, ajudar outros deficientes. Nos fundos da casa onde mora com os pais, um pequeno barracose transformou principal fonte de renda. Ele conserta cadeiras de rodas, serviço que os deficientes não tinham na região do Gama.
"Estou trabalhando na associação há quatro meses. A entidade manda as cadeiras que precisam de manutenção", disse Sousa. Carismático e alegre, ele já conta com uma clientela fiel, mas também ajuda os que não têm como pagar pelo serviço. "Acabo fazendo o serviço de graça para os mais carentes. Muitas vezes, compro o material com o meu próprio dinheiro", contou. Segundo Sousa, sua deficiência não o impede de trabalhar: "Não é porque tenho deficiência que não sou capaz. Posso trabalhar para ajudar minha mãe e às pessoas".
Sua mãe, Santa Francisca de Sousa, 60 anos, fica orgulhosa: "Ele passa o dia inteiro na oficina. Tem vezes que ele esquece de almoçar ou jantar, e tenho que ficar chamando". Sousa faz a entrega das cadeiras com até dois dias. Segundo ele, não é possível demorar mais tempo porque é uma questão de necessidade. "A cadeira é o único meio de locomoção para essas pessoas", enfatizou.
Mas para continuar com a oficina, Sousa precisa de equipamentos de solda, máquina de costura, ferramentas, compressor de ar e pneus. Só dessa forma ele poderá realizar mais serviços e ajudar a associação e os deficientes.

Participação

Ângela Maria da Silva, 39 anos, participa da confecção na sede da ADGE: "Tive poliomielite aos 9 meses. Em 1994, fui atropelada e fiquei em uma cadeira de rodas. Voltei a andar, mas uma queda quebrou a rótula do joelho e voltei à cadeira". Segundo ela, a entidade tem projetos a serem desenvolvidos. "É uma forma de qualificação e capacitação para os deficientes excluídos da sociedade", contou Ângela.

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