Saúde em descaso
Data : Quinta-feira 20 Julho 2006 - DFTV 1ª Edição
Rafael Monaco
Roupas sujas ficam jogadas em uma sala do HRG
Hospital do Gama funciona em situação precária
O DFTV já mostrou, em diversas reportagens, reclamações dos pacientes do Hospital Regional do Gama (HRG) por falta de remédios e demora no atendimento. Nesta quinta-feira, dia 20, as reclamações partiram justamente de quem está lá para salvar vidas. Mas a tarefa nem sempre é possível.
A área de internação clínica e cirúrgica do HRG é para 65 pacientes. Hoje de manhã, havia 141. Não existem nem biombos de separação. Até os corredores são usados para colocar as macas extras. O diretor do hospital, Paulo Henrique Freitas, diz estar ciente das condições. “Passamos por uma situação muito difícil. As necessidades são eminentes. O pronto-socorro, que deveria ser contemplado com aparelhos de qualidade, não tem estrutura”, afirma.
O desfibrilador - aparelho que dá choques para reanimar os pacientes com parada cardíaca - está quebrado. Um equipamento idêntico sofreu alguns remendos, mas também não funciona. O monitor que mostra a freqüência cardíaca quebrou.
Os médicos fazem o que podem. Ou seja, se chegar um indivíduo com uma parada cardíaca, o quadro clínico será revertido à mão, e não com o aparelho apropriado.O oxímetro verifica o nível de oxigênio, a respiração e pulso do paciente, mas tem 20 anos. E o pior: está parado por falta de manutenção. “A gente sabe o que deve fazer, mas não pode fazer. Isso é tão ruim para nós quanto para o paciente, que muitas vezes terá um desfecho letal pela inadequação do equipamento”, reclama o médico residente Alexandre Martini.
Os problemas do HRG não param por aí. A geladeira que armazena insulina, remédio usado por diabéticos, é velha não é possível saber a quantos graus conserva os medicamentos. A sala dos enfermeiros virou depósito das roupas sujas de sangue dos pacientes que chegam acidentados.
Segundo o técnico de enfermagem Francisco Pimentel, o motivo é a falta de funcionários. “Não tem ninguém escalado para recolher e identificar as coisas aqui. É desestimulante, mas ninguém tem mais perspectivas”, desabafa.
Há três meses, o HRG recebeu 200 computadores da Secretaria de Saúde. Até agora, nem o programa necessário para o funcionamento das máquinas foi instalado. Para o médico André Costa, a situação é absurda. “Foi um volume de recursos muito grande e necessário em outros setores, como compra de medicamentos e equipamento básico para a emergência. Não temos isso, mas temos computadores totalmente parados, sendo sucatados rapidamente”, diz.
A direção do HRG tem outras reclamações. A sala de nebulização, que recebe pacientes com crises de asma, não tem mangueiras nem máscaras. Os 48 residentes que fizeram uma greve de seis dias na última semana prometem voltar ao trabalho. A decisão foi tomada porque a Secretaria de Saúde prometeu que um anestesista seria contratado imediatamente. A promessa, no entanto, ainda não foi cumprida.
O hospital conseguiu firmar um convênio com uma faculdade particular de medicina e dentro de dois anos deve receber uma verba em torno de R$ 1, 3 milhão. A parceria só deve ser oficializada daqui a dois meses. O secretário e o subsecretario de saúde foram convidados para participar ao vivo do DFTV, mas nenhum dos dois quis dar entrevista. Por meio de uma nota, a assessoria de imprensa informou que as reclamações sobre os equipamentos quebrados serão analisadas e que o problema da falta de anestesistas será resolvido amanhã à tarde, de modo a evitar mais uma greve dos residentes.
http://dftv.globo.com/Dftv/0,6993,VDD0-2982-20060720-178213,00.html
Rafael Monaco
Roupas sujas ficam jogadas em uma sala do HRG
Hospital do Gama funciona em situação precária
O DFTV já mostrou, em diversas reportagens, reclamações dos pacientes do Hospital Regional do Gama (HRG) por falta de remédios e demora no atendimento. Nesta quinta-feira, dia 20, as reclamações partiram justamente de quem está lá para salvar vidas. Mas a tarefa nem sempre é possível.
A área de internação clínica e cirúrgica do HRG é para 65 pacientes. Hoje de manhã, havia 141. Não existem nem biombos de separação. Até os corredores são usados para colocar as macas extras. O diretor do hospital, Paulo Henrique Freitas, diz estar ciente das condições. “Passamos por uma situação muito difícil. As necessidades são eminentes. O pronto-socorro, que deveria ser contemplado com aparelhos de qualidade, não tem estrutura”, afirma.
O desfibrilador - aparelho que dá choques para reanimar os pacientes com parada cardíaca - está quebrado. Um equipamento idêntico sofreu alguns remendos, mas também não funciona. O monitor que mostra a freqüência cardíaca quebrou.
Os médicos fazem o que podem. Ou seja, se chegar um indivíduo com uma parada cardíaca, o quadro clínico será revertido à mão, e não com o aparelho apropriado.O oxímetro verifica o nível de oxigênio, a respiração e pulso do paciente, mas tem 20 anos. E o pior: está parado por falta de manutenção. “A gente sabe o que deve fazer, mas não pode fazer. Isso é tão ruim para nós quanto para o paciente, que muitas vezes terá um desfecho letal pela inadequação do equipamento”, reclama o médico residente Alexandre Martini.
Os problemas do HRG não param por aí. A geladeira que armazena insulina, remédio usado por diabéticos, é velha não é possível saber a quantos graus conserva os medicamentos. A sala dos enfermeiros virou depósito das roupas sujas de sangue dos pacientes que chegam acidentados.
Segundo o técnico de enfermagem Francisco Pimentel, o motivo é a falta de funcionários. “Não tem ninguém escalado para recolher e identificar as coisas aqui. É desestimulante, mas ninguém tem mais perspectivas”, desabafa.
Há três meses, o HRG recebeu 200 computadores da Secretaria de Saúde. Até agora, nem o programa necessário para o funcionamento das máquinas foi instalado. Para o médico André Costa, a situação é absurda. “Foi um volume de recursos muito grande e necessário em outros setores, como compra de medicamentos e equipamento básico para a emergência. Não temos isso, mas temos computadores totalmente parados, sendo sucatados rapidamente”, diz.
A direção do HRG tem outras reclamações. A sala de nebulização, que recebe pacientes com crises de asma, não tem mangueiras nem máscaras. Os 48 residentes que fizeram uma greve de seis dias na última semana prometem voltar ao trabalho. A decisão foi tomada porque a Secretaria de Saúde prometeu que um anestesista seria contratado imediatamente. A promessa, no entanto, ainda não foi cumprida.
O hospital conseguiu firmar um convênio com uma faculdade particular de medicina e dentro de dois anos deve receber uma verba em torno de R$ 1, 3 milhão. A parceria só deve ser oficializada daqui a dois meses. O secretário e o subsecretario de saúde foram convidados para participar ao vivo do DFTV, mas nenhum dos dois quis dar entrevista. Por meio de uma nota, a assessoria de imprensa informou que as reclamações sobre os equipamentos quebrados serão analisadas e que o problema da falta de anestesistas será resolvido amanhã à tarde, de modo a evitar mais uma greve dos residentes.
http://dftv.globo.com/Dftv/0,6993,VDD0-2982-20060720-178213,00.html


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