Thursday, September 20, 2007

O Marechal José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque e a construção de Brasilia

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No ano de 1953, o marechal José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque é nomeado, pelo então presidente Getúlio Vargas, coordenador da comissão que escolheria o local definitivo da nova capital do país. No mapa, bem ao centro, como já havia demarcado a Missão Cruls, no fim do século XIX, um quadrilátero dentro de Goiás indicava as distâncias até as capitais estaduais. O marechal José Pessoa batizou o que seria a futura capital de Vera Cruz.
“O marechal José Pessoa é um dos Tiradentes da história de Brasília. É uma dessas pessoas que sem ele, talvez, o processo tivesse sido cortado e postergado para um outro momento. Ele desempenhou um período fundamental da implantação da nova capital e da perspectiva de realização efetiva, ou seja, de torná-la real”, explica o professor de Arquitetura da Universidade de Brasília, Cláudio Queiroz.
Bem antes de Lúcio Costa ganhar qualquer concurso, antes mesmo de Oscar Niemeyer projetar as cúpulas do Congresso Nacional, o marechal José Pessoa Cavalcante de Albuquerque concluiu um estudo minucioso, quando Café Filho era o presidente em exercício. José Pessoa criou, por exemplo, a rede de esgoto da nova capital. Foi ele quem planejou que a água viria do São Bartolomeu e a energia do Rio Corumbá. Pensou e desenhou rodovias e ferrovias, fez todos os orçamentos. Quando Juscelino Kubitschek decidiu construir Brasília, todos os alicerces já existam.
O marechal José Pessoa chegou a traçar um esboço, um desenho da nova capital: Vera Cruz. Quadras residenciais alinhadas e, nos cruzamentos, as tesourinhas. No projeto, a cidade é cortada por uma grande via e acaba numa bifurcação. Ao fundo, para emoldurar a nova capital, o marechal pensou num lago. Tudo pode até ser uma grande coincidência, mas o projeto do marechal Pessoa é como se fosse o rascunho do trabalho final apresentado por Lúcio Costa, anos depois.
Cláudio Queiroz, arquiteto e professor de projetos da Universidade de Brasília (UnB), diz que as influências e as referências dos dois eram parecidas. E isso pode justificar a semelhança dos projetos. De qualquer forma, o marechal José Pessoa foi apagado dessa história injustamente.
“Se Brasília não tivesse sido tombada como Patrimônio Cultural da Humanidade, talvez a gente pudesse fazer o registro material da história que antecede a realização dessa capital”, diz Cláudio Queiroz.


O pioneiro Ernesto Silva participou de tudo. Ele foi nomeado pelo marechal Pessoa para ser secretário da Comissão da Nova Capital. Juntos, eles vieram para o centro do Planalto em fevereiro de 1955. Foi a primeira visita ao local onde anos depois Juscelino construiria Brasília.
“Ele era um administrador nato, um homem seríssimo. Era respeitado pelas Forças Armadas e pela classe civil. O marechal prosseguiu feroz, um amante do trabalho”, conta o pioneiro Ernesto Silva.Em março de 1956, o marechal José Pessoa apresentou sua renúncia ao presidente Juscelino. Ele discordava da pressa em fazer uma cidade, cujo planejamento ainda não estava concluído. José Pessoa escreveu: "Como pensar na venda de lotes, se ainda não foi aprovado o projeto urbanístico da cidade?”
Brasília nem exista e José Pessoa já estava preocupado com o que se tornou um dos maiores problemas da capital do país e que ainda não foi solucionado: a ocupação urbana sem ordem, sem cuidados ambientais, sem planejamento, sem controle.

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