Sindrome de Munchausem - Conduta Após a Comprovaçao

Conduta após a comprovação
Na Inglaterra, segundo Meadow, tem-se evitado o envolvimento da polícia. Em alguns casos tem-se feito um inquérito policial básico, com três ou quatro horas de interrogatório da mãe na delegacia de polícia. É mais freqüente, entretanto, que a mãe confesse ter matado uma outra criança ou abusado do filho a uma assistente social, psicólogo ou médico que em um interrogatório policial. Uma reunião de apresentação do caso à família pode ser necessária. A hora do confronto é difícil. Precisa ser dito à mãe que todos sabem que ela estava mentindo, prejudicando a saúde de seu filho, colocando o em risco e enganando a todos. Isto não é fácil. Um médico deve antes expor todo o caso em todos os seus detalhes, relatando apenas o que se tem certeza. Recomenda-se que seja evitada uma postura hostil ou condenatória e ter uma postura compreensiva e de disposição para ajudar. Geralmente a mãe não reage com raiva. Diz coisas como "que absurdo" ou "porque eu faria isso" ou "vocês nunca poderão provar isso". Nesta hora é importante ter a comprovação de pelo menos uma parte da fraude e dizer que os demais incidentes não esclarecidos são irrelevantes. Quando confrontada com prova documental, como um vídeo, cerca metade confessam ter praticado tais atos. Deve-se deixar claro o objetivo da reunião: não se quer provar quem está certo ou errado. O objetivo é ajudar a criança, a mãe e a família. Pode ser importante explicar que em princípio o caso não será levado à polícia e nem será divulgado à imprensa. Deve-se explicar que se trata de uma doença que precisa ser tratada. Não se deve prolongar em explicações sobre a doença pois "explicações dificilmente modificam comportamentos cuja origem é ilógica". A estratégia sobre falar primeiro com a mãe ou com a família ou com ambos vai depender da reação que se espera da família. Quando se prefere falar primeiro com a mãe, é preciso assegurar-lhe do mal que sua doença tem causado à criança, que o objetivo é de ajudá-la a superar a doença e não de denunciá-la, que o problema terá que ser relatado ao seu marido e sua família e como isto será feito (pode ser discutido com ela) e que reações ela acha que a família terá. A reunião deve ser conduzida pelo médico que cuidou do caso e que descobriu a doença, se houver um outro médico que antes tenha cuidado e descoberto outros episódios factícios da mãe ele deve estar presente, pode ser necessária a presença de um representante da agência de proteção a criança, do serviço de assistência social e, em alguns casos, da polícia. Precisa ser deixado claro a toda família que: a criança estava sobre risco e que daqui para frente, mesmo descoberta a doença, ela estará sobre risco permanente. Deve ser explicado à mãe e à família do quanto as internações, exames e investigações invasivas, cirurgias e tratamentos foram nocivos à criança (a criança, quando presente, pode dizer que não). Informar que as crianças que passaram por este processo tem grande tendência de se tornarem na adolescência ou quando adultos portadores da S. Münchausen by self e a ter comportamentos anormais em relação ás doenças pelo resto da vida. Alguns se julgam incapazes para trabalhar, casar ou ter uma vida normal. Após algum tempo sobre proteção no hospital a criança deverá ser referenciada de volta para o hospital ou serviço médico e assistente social e serviços de proteção da criança da cidade de origem sendo providenciadas comunicações diretas com o pessoal de cada uma dessas instituições. A preocupação e cuidados precisam ser redobrados nos casos de envenenamento ou sufocação, crianças com menos de 5 anos, casos de mortes súbitas e inexplicáveis na família, a baixa compreensão por parte da mãe e da família sobre o que está acontecendo com ela, mães droga-dependentes ou alcoólatras, persistência da fabricação de eventos mesmo após algum grau de confrontação. Deve-se considerar a possibilidade de que no meio de todo o quadro fabricado exista alguma doença crônica genuína que necessite tratamento e garantir que as doenças que a criança venha a apresentar não sejam descartadas a priori como factícias. O papel do psiquiatra: geralmente são chamados apenas para tratar da mãe quando o quadro já foi esclarecido. Os teste psiquiátricos frequentemente não revelam distúrbios graves de saúde mental ou mesmo não se encontra nenhuma desordem psiquiátrica aparente. Não é raro que a mãe se apresente ao juiz com um psiquiatra que atesta sua saúde mental e diz duvidar que ela tenha sido capaz de fazer o que a acusam, alguns chegam a sugerir algumas hipóteses diagnósticas que justificariam os problemas apresentados pela criança. Essas famílias são sempre de tratamento difícil, estressante e desgastante para o psiquiatra.


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