Wednesday, July 26, 2006

Dicas para o Cuidador de Pessoas Idosas

1. QUANDO TOMAR BANHO FOR UM PROBLEMA... Tentar identificar a(s) causa(s) da recusa é um bom começo. O paciente pode estar com dificuldade para caminhar, ter medo da água, medo de cair, pode estar deprimido; com infecções que geram mal estar, dor, tonturas ou mesmo sentir-se envergonhado por expor seu corpo diante de um cuidador estranho, especialmente se for do sexo oposto. ADAPTANDO O AMBIENTE · Todas as adaptações deverão ser feitas mediante o grau de dependência apresentado. · Mantenha o piso seco e no interior do box utilize tapetes anti-derrapantes (emborrachados) para evitar quedas. · A colocação de barras de segurança na parede (semelhantes àquelas utilizadas em academias de balet) são de grande ajuda, pois permitem que o paciente se apoie nelas durante o banho, fazendo-o sentir-se mais seguro. · Se é difícil para ele manter-se em pé por muito tempo, pense que talvez uma cadeira de banho vá auxiliá-lo e permitir maior conforto. RESPEITE SEUS HÁBITOS

· Os que apresentam dependência leve devem ter seus hábitos de higiene respeitados como: horário do banho, marca de sabonete, shampoo etc.

· Não há razão para se "obrigar" o paciente a banhar-se pela manhã se é seu hábito fazê-lo à tarde.

· É interessante se criar uma rotina para aqueles que apresentam dependência severa, isto facilita o trabalho do cuidador e cria um hábito para o paciente.

· Mesmo os acamados devem ser levados ao banheiro para que seja realizado o banho de chuveiro, esta é uma ótima oportunidade de mobilização.

· Banhos no leito devem ser evitados, sendo indicados apenas para aqueles pacientes com prescrição de repouso rigoroso no leito. INDO PARA O BANHEIRO

· Prepare o banheiro previamente e leve para lá todos os objetos necessários à higiene.

· Elimine correntes de ar fechando portas e janelas.

· Separe as roupas pessoais antecipadamente.

· Regule a temperatura da água que deve ser morna.

· Se possível, o paciente deve ser despido no quarto e conduzido ao banheiro protegido por um roupão, neste momento, evite fixar os olhos em seu corpo (isto pode constrangê-lo), observe-o sutilmente.

O BANHO PROPRIAMENTE DITO

· Oriente-o para iniciar o banho e auxilie-o, se necessário.

· Não faça por ele. Estimule, oriente, supervisione, auxilie. Apenas nos estágios mais avançados da doença o cuidador deve assumir a responsabilidade de dar o banho.

· Aproveite a oportunidade para massagear suavemente a sua pele, isto favorece a circulação sangüínea e produz grande conforto.

· Não utilize buchas de banho, lembre-se que a pele é muito sensível e você pode provocar lesões.

· Lave a cabeça no mínimo 3 x por semana, utilize shampoo neutro, observe se há lesões no couro cabeludo. Mantenha se possível, os cabelos curtos.

· Observe se há necessidade de cortar as unhas das mãos e dos pés, em caso positivo, posteriormente, corte-as retas com todo o cuidado especialmente nos pacientes diabéticos.

· Após o banho, seque bem o corpo, principalmente as regiões de genitais, articulares (dobra de joelhos, cotovelos, axilas) e interdigitais (entre os dedos).

2. A PELE É MUITO FRÁGIL... A pele merece atenção especial e o momento do banho é o mais apropriado para se observar a presença de hematomas (manchas roxas), hiperemia (vermelhidão), pruridos (coceiras), assaduras ou qualquer outro tipo de lesão, as quais se tratadas adequadamente e a tempo evitam complicações e previnem a ocorrência de úlceras por pressão (escaras).

· Manter a higiene da pele é de suma importância, pois trata-se de uma barreira natural de que dispõe o organismo contra infecções, portanto, trabalhe para manter sua integridade.

· Idosos apresentam fragilidade de vasos capilares, que se rompem com facilidade, causando manchas avermelhadas na pele. Aumente a oferta de alimentos ricos em vitamina C, ela melhora a resistência dos vasos capilares.

· Ao segurar o paciente pelos braços ou mãos, não exerça demasiada pressão, lembre-se, a sua pele é frágil, e muitas vezes, rompe-se com uma simples pressão.

· Manter a pele hidratada é de fundamental importância, existem no mercado bons cremes hidratantes, de perfume suave, que umidificam adequadamente, evitando seu ressecamento.

· Mantenha o paciente hidratado, ofereça líquidos à vontade.

· Evite a exposição à luz solar após às 9 horas da manhã(10 horas no horário de verão).

· Pruridos (coceiras) podem ser causados por vestuário confeccionado com tecidos sintéticos, dê preferência às roupas de algodão ou tecidos anti-alérgicos.

· Assaduras podem surgir devido a má higienização ou a longa permanência com fraldas molhadas.

· Após eliminações urinárias ou intestinais, deve-se providenciar uma higiene íntima.

· Pacientes incontinentes devem ter suas fraldas trocadas de 3/3h ou antes se necessário.

· Evite cosméticos com perfume forte, eles costumam produzir alergias.

· Não use talcos, se aspirados inadvertidamente podem produzir alergias respiratórias.

· Evite banhos muito quentes, eles provocam o ressecamento, além de causar queimaduras em peles muito sensíveis.

3. CUIDAR BEM DA BOCA É SEMPRE NECESSÁRIO! A higiene oral é um hábito saudável e agradável que deve ser mantido ao longo de toda a vida. Alterações da mucosa oral, perda de dentes, próteses mal ajustadas, gengivites (inflamação das gengivas), diminuição do fluxo salivar, são fatores que podem ocasionar infecções na cavidade oral.

· A higiene oral deve ser realizada após cada refeição ou num mínimo de 3 x dia.

· A boca deve ser inspecionada imediatamente após cada refeição, para que dessa forma, possa ser removido todo e qualquer resíduo alimentar.

· Utilizar escovas de dentes de cerdas macias, massageando as gengivas verticalmente com suavidade.

· Pode-se utilizar após cada escovação anti-sépticos orais, mantendo assim um hálito agradável.

· Algumas vezes é muito difícil fazer com que o paciente abra a boca para se fazer a higiene oral.

· Tente introduzir delicadamente uma espátula entre os dentes e faça um movimento rotatório, caso não seja possível, utilize o próprio dedo indicador envolto em gaze para que seja possível a higienização.

A LÍNGUA

· A língua deve ser massageada com escova macia, para remoção de sujidades.

· Em caso de haver presença de uma crosta branca sobre a língua - saburra - removê-la utilizando uma solução de bicarbonato de sódio, na proporção de 1 colher de café de bicarbonato em 1 copo d'água. Para executar a limpeza da língua, molhar na solução a escova de dentes, ou uma espátula envolvida em gaze, ou mesmo o próprio dedo indicador envolto em gaze e proceder a limpeza. Esta deve ser feita com movimentos suaves, sem esfregar.

O QUE OBSERVAR

Deve-se observar cuidadosamente a presença de lesões na cavidade oral - manchas brancas, vermelhas, pequenos ferimentos que sangram e não cicatrizam - e neste caso, alertar o médico responsável.

CUIDE BEM DAS PRÓTESES

· Deve-se ter maior atenção para a higiene oral naqueles pacientes que usam próteses dentárias. Estas devem ser retiradas após cada refeição, higienizadas fora da boca, e após limpeza da cavidade oral, recolocadas.

· Pacientes muito confusos, devem ter suas próteses dentárias retiradas à noite, colocadas em solução anti-séptica, e após higienização, recolocadas pela manhã.

· Observar a estabilidade da prótese dentária na boca do paciente, lembrar que com o envelhecimento ocorre perda de massa óssea, fazendo com que as próteses fiquem frouxas e se desestabilizem. É conveniente, neste caso, aconselhar-se com um dentista.

· Observar a presença de cáries ou dentes quebrados que causam dor. Existem equipes de profissionais (dentistas), que atendem no domicílio aqueles pacientes que se encontram impossibilitados de comparecer ao consultório.

· Muitas vezes, a recusa do paciente em alimentar-se ou sua agitação no horário de refeições deve-se ao fato de próteses mal ajustadas ou significar simplesmente uma dor de dentes.

4. COM QUE ROUPA FICA MAIS FÁCIL EVITAR PROBLEMAS? Manter um vestuário simples e confortável, criando sempre que possível a oportunidade de escolha pelo próprio paciente é de fundamental importância; essa rotina permite a preservação da personalidade elevando a auto estima e a independência.

· Estimular a independência é fundamental.

· As roupas devem ser simples, confeccionadas com tecidos próprios ao clima.

· O paciente pode ter perdido a capacidade de expressar sensações de frio ou calor, dessa forma, nunca esquecer de tirar ou colocar agasalhos, conforme a variação da temperatura.

· O cuidador deve, ao falar com o paciente, colocar-se no seu campo visual, ou seja diante dele, orientando-o calmamente e gesticulando, se necessário.

· Deve-se estimular o ato de vestir-se sozinho, dando instruções com palavras fáceis de serem entendidas.

· Dê a ele a oportunidade de optar pelo tipo de vestuário e as cores que mais lhe agradem. Apenas supervisione, pois pode ser que haja necessidade de auxiliá-lo na combinação de cores.

· Tenha calma e paciência, não o apresse enquanto ele executa sua rotina de vestir-se.

· Para que ele mesmo possa procurar suas roupas, nos armários, cole fotos de peças e ou objetos pessoais na parte externa da gaveta ou guarda-roupas. Isto o ajudará a encontrar rapidamente o que procura.

· Roupas como blusas, camisas ou suéteres, deverão ser preferencialmente abertos na parte da frente, para facilitar a colocação ou retirada.

· Evite roupas com botões, zíperes e presilhas, elas dificultam o trabalho do paciente para abri-los ou fechá-los. De preferência às roupas com elástico ou velcro.

· Nas fases mais avançadas da doença, deve-se dar preferência aos conjuntos do tipo moletom, em função de sua praticidade.

· Pacientes limitados à cadeiras de rodas ou poltronas, o critério para a escolha do vestuário é ainda mais rigoroso. Deve-se optar por roupas confortáveis, largas, especialmente nos quadris.

· O uso de objetos pessoais (acessórios), pode ser mantido, porém, com a evolução da doença, as jóias deverão ser substituídas por bijuterias.

· Na medida do possível, deve-se providenciar um roupão, para que o paciente possa se despir no quarto e, protegido, ser conduzido ao banho.

· Deve-se evitar o uso de chinelos, pois eles facilitam as quedas.

· Todos os tipos de sapatos devem ser providos por solados anti-derrapantes, os mais indicados são aqueles que possuem elástico na parte superior, pois além de serem fáceis de tirar e colocar, evitam que o paciente tropece e caia, caso o cadarço se desamarre.

5. ALIMENTAÇÃO: MUITO, POUCO, A QUALQUER HORA, O QUE É MELHOR Nem sempre alimentar o portador da doença de Alzheimer é tarefa fácil. Horários regulares, ambiente tranqüilo, especialmente muita calma e paciência, da parte do cuidador, são fatores imprescindíveis para que a alimentação seja bem aceita pelo paciente.

· O paciente deverá estar sentado confortavelmente para receber a alimentação.

· O ambiente deverá ser calmo, livre de ruídos.

· Jamais ofereça alimentos ao paciente quando este estiver deitado.

· Os pacientes que ainda conservam a independência para alimentar-se sozinhos devem continuar a receber estímulos para esta ação, não importando o tempo que levem para fazê-lo.

· O cuidador nunca deverá criticar ou apressar o paciente durante as refeições.

· As instruções passadas ao paciente deverão ser claras e o comando suave.

· Para aqueles pacientes que demoram para alimentar-se, o uso de baixelas térmicas, que mantém o alimento aquecido por mais tempo, é bastante útil.

· Independentemente da apresentação da dieta - sólida, pastosa ou líquida - deve-se, sempre que possível, respeitar as preferências do paciente. Uma pessoa que sempre gostou de comer carne, mas que já não consegue deglutir pequenos pedaços, deve ter a carne liqüidificada e servida em consistência de purê. O mesmo artifício deve ser utilizado para os outros alimentos.

· O convívio com a família é de extrema importância. Sempre que possível, deve-se permitir que o paciente alimente-se em companhia de seus familiares.

· A vida social deve ser mantida enquanto possível. Se era hábito do paciente almoçar fora, os restaurantes devem ser selecionados e a opção por um local tranqüilo é a ideal.

· Os utensílios utilizados durante a refeição devem ser preferencialmente lisos e claros. As estampas - de pratos, por exemplo - podem distrai-lo e reduzir sua concentração naquilo que lhe é explicado no momento (mastigação e deglutição).

· Aqueles que apresentam dependência severa devem ser alimentados com colheres, em lugar de garfos.

· Os alimentos crus e secos devem ser evitados, pois o perigo de engasgamento é maior.

· Doces e salgados serão permitidos, desde que não haja restrição médica. Os temperos devem ser suaves e os molhos picantes evitados.

· Caso haja engasgamento, mantenha a calma, coloque-se imediatamente atrás do paciente e abraçando-o com as duas mãos juntas, comprima o abdome, fazendo pressão sobre o diafragma.

· Após cada refeição, a higiene oral é indispensável e deve ser realizada uma inspeção cuidadosa da boca, a fim de que possa ser removido todo e qualquer resíduo alimentar.

6. NUTRIÇÃO O QUE SIGNIFICA REALMENTE. Nutrição não deve ser confundida com alimentação, na maioria dos casos as pessoas bem alimentadas estão mal nutridas. Os idosos podem necessitar de uma maior oferta de proteínas (carnes brancas, como peixes e aves; carnes vermelhas, desde que sem gordura; leite desnatado; queijo fresco etc.); além de carboidratos (açúcares, massas) e reguladores, fontes de vitaminas e minerais (vegetais, frutas e legumes). No entanto, a nutrição adequada a cada paciente deve ser orientada por profissional competente, uma nutricionista.

· Lembrar que o suprimento das necessidades nutricionais é um fator que deve ser analisado clinicamente, considerando-se hábitos e gasto energético individuais, sendo que esses fatores variam de indivíduo a indivíduo.

· As refeições devem conter pelo menos um alimento de cada grupo, a saber: construtores (proteínas), energéticos (carboidratos) e reguladores (frutas, legumes e vegetais).

· É importante analisar hábitos antigos do paciente e mantê-los, desde que não haja prejuízo nutricional para ele.

· Alguns pacientes mudam seus hábitos alimentares com a evolução da doença, dando preferência a pequenos lanchinhos ou guloseimas que alimentam, porém não nutrem. Tente incrementar estes lanches garantindo que ele receba quantidades adequadas de proteínas, carboidratos e reguladores.

· É importante chamar a atenção do cuidador para que as informações de como nutrir o paciente deve advir de profissionais capacitados (nutricionista), que após avaliação terão condições de prescrever uma dieta adequada a cada paciente individualmente.

· Rotineiramente o paciente deve (sob orientação médica), realizar exames laboratoriais para que seja analisado seu estado nutricional. A freqüência destes exames irá variar de acordo com o quadro clínico apresentado.

· A presença de edemas (inchaços) pode, em alguns casos, significar desnutrição. É conveniente consultar um médico.

· Atenção para perda de apetite, que pode estar relacionada a várias causas que devem ser investigadas e tratadas. Lesões da boca, infecções, doenças crônicas ou refeições que não estejam do agrado do paciente são alguns exemplos.

· Deve-se aumentar a oferta de nutrientes como proteínas, vitaminas e minerais, quando em presença de infecções, permitindo assim, uma reabilitação precoce.

· O controle do peso corporal deve ser feito mensalmente, alterações súbitas (ganho ou perda ponderal), merecem investigação clínica.

7. HIDRATAR ADEQUADAMENTE EVITA MUITOS PROBLEMAS. Queixas de hipotensão (pressão baixa), acúmulo de secreções bronco-pulmonares (catarro), obstipação intestinal (prisão de ventre), são algumas das complicações que na maioria das vezes estão relacionadas a quadros de desidratação, que nos pacientes idosos pode dar origem a complicações clínicas sérias e de difícil manejo.

· Oferecer líquidos é de extrema importância, não se deve esquecer que eles colaboram para o equilíbrio de todos os sistemas orgânicos.

· Deve-se oferecer uma quantidade de líquidos equivalente a 2 litros por dia, na forma de água, chás, sucos, vitaminas etc.

· O volume indicado deve ser fracionado em pequenas doses que ao fim do dia devem somar 2000ml.

· Deve-se garantir que a quantidade de líquidos ingerida seja mais ou menos igual às perdas (urina, suor, lágrimas, saliva).

· Oferecer copos cheios de água causam uma sensação de plenitude gástrica desconfortável para o paciente, ofereça pequenas quantidades, várias vezes ao dia.

· Lembrar que a maioria dos idosos ingere pouca quantidade de água pura. Colocar sabor na água como os sucos, refrescos etc. é uma estratégia eficaz.

· A ingestão adequada de líquidos também é de extrema importância para a manutenção do adequado turgor cutâneo (elasticidade da pele), melhorando conseqüentemente a resistência da pele.

· Pacientes diabéticos devem receber líquidos adoçados artificialmente.

· Aqueles que possuem restrição de líquidos prescrita por médico devem respeitá-la com rigor.

· Idosos acumulam facilmente secreções bronco-pulmonares, a oferta adequada de líquidos possibilita uma expectoração mais rápida, prevenindo infecções.

· Nas fases mais avançadas, devem ser servidos sucos espessos - como vitaminas, ou engrossados com gelatina, por exemplo - eles reduzem os riscos de engasgamentos.

· Jamais ofereça líquidos com o paciente deitado, este deve estar em posição sentada ou recostada em travesseiros. Esta medida reduz o risco de aspirações e otites (dor de ouvido).

· Atenção! Quedas de pressão arterial, diurese concentrada (urina escura) e baixo débito urinário (pouco volume de urina) podem estar associados à baixa ingesta de líquidos.

· A obstipação intestinal (intestino preso) é outra queixa comum que também pode estar associada a baixa ingesta de líquidos, imobilidade e dieta inadequada.

· Lembre-se de que o coração (assim como uma bomba d'água) necessita de volume para trabalhar adequadamente. A falta de líquidos pode trazer conseqüências graves para o paciente.

· Pacientes que apresentam dificuldade para digerir alimentos (disfagia) devem receber alimentação específica, orientadas por profissionais especializados (fonoaudiólogos e nutricionistas).

· Em determinados momentos da evolução da doença pode haver necessidade da colocação de sondas para alimentação e especialmente para hidratação.

. ANDAR SEM PARAR, O QUE É ISSO? Trata-se de um estado de inquietude que faz com que o paciente ande de um lado para outro, sem demonstrar sinais de cansaço. Fenômeno conhecido por vagância ou perambulação. É uma alteração de comportamento que também pode estar relacionada a quadros infecciosos e desidratação. A principal preocupação evidentemente está em trabalhar para o reconhecimento das possíveis causas da vagância, além de manter a segurança pessoal/ambiental.

· A perambulação pode ocorrer a qualquer momento (dificilmente no início da doença), alguns pacientes não a apresentam, isto porque não existe um padrão de evolução igual para todos eles. O cuidador deve pensar, portanto, em formas de minimizar os riscos e perigos que a perambulação pode oferecer (quedas, fugas).

· Familiares próximos, comerciantes, amigos, vizinhos, devem ser comunicados quando o paciente apresentar este fenômeno. Eles devem ser orientados que, caso o paciente seja encontrado vagando pelas ruas, devem aproximar-se calmamente e tranqüilizado-o, conduzi-lo para casa.

· A dieta que o paciente recebe deve ser equilibrada com uma oferta maior de carboidratos, pois o seu consumo de energia é maior. Esta é um dos fatores que pode explicar a perda de peso.

· A desorientação têmporo-espacial (incapacidade para reconhecer dias e noites e o local onde se encontra) também pode explicar a inquietação motora demonstrada pelo paciente.

· Infecções, reações adversas a alguns medicamentos, dores, fecalomas (fezes em consistência de pedra), devem ser descartados por um médico. Às vezes a presença de um inseto nas roupas ou qualquer outra sensação de desconforto, pode causar inquietude motora, fazendo o paciente vagar.

· Alterações de sono também são responsáveis pela perambulação. Deve-se evitar que o paciente durma durante o dia. Lembrar que idosos tem menor necessidade de sono.

· Pacientes que apresentam perambulação noturna (caminham à noite), não devem dormir de meias, o risco de escorregar e cair é muito alto.

· Mantenha o paciente ocupado durante o dia, atividades e exercícios físicos adaptados as suas limitações (se houverem) devem fazer parte de sua rotina.

· Caminhadas, atividades domésticas simples, serão de grande valor, e embora ele (a) muitas vezes não consiga terminar uma atividade, gasta energia e possivelmente terá um sono mais tranqüilo.

· Medidas de segurança devem ser adotadas, mesmo para aqueles pacientes que nunca tenham se perdido; ele deve ser observado sutilmente, identificado com uma pulseira, medalha ou até mesmo na parte interna da etiqueta do vestuário com nome, endereço e se possível dados médicos.

· Todos os riscos devem ser avalizados pelo cuidador. Assim, portas, janelas, poços, piscinas, escadas, sacadas, devem ser supervisionadas rotineiramente com a finalidade de manter a segurança do paciente que vaga.

· Os arredores da casa também devem ser analisados, ruas com tráfego intenso oferecem grande perigo.

· Travas colocadas na parte alta ou baixa da porta mantém a casa segura e dificilmente são percebidas pelo paciente.

· Se houver quintal, este deve ser protegido por cercas altas e firmes ao redor.

· Vãos abertos em escadas devem ser fechados.

· As chaves do carro devem ser guardadas em local seguro, longe do alcance do paciente. Muitos já foram encontrados após horas, perdidos, dirigindo inclusive carros de outras pessoas.

· Pense que talvez retirar uma ou outra peça do carro, impedindo com isso que ele funcione, pode ser uma boa solução alternativa.

· Caso o paciente saia e se perca, é conveniente iniciar a procura em locais que habitualmente ele freqüentava, familiares a ele.

· Lembre-se o paciente não pode sentir-se perseguido pelo cuidador, observe-o e supervisione suas atividades com sutileza.

9. ELE ESTÁ VENDO COISAS, O QUE EU FAÇO? Algumas pessoas podem apresentar alucinações visuais ou auditivas, quando apresentam a falsa impressão - sem que haja um estímulo externo - de estar vendo ou ouvindo coisas que outras pessoas não vêem ou ouvem, respectivamente. Esta alteração de comportamento provoca grande transtorno no seio familiar, especialmente porque, a maioria das pessoas não estão preparadas para administrar bem esta situação.

· Esta é uma situação muito especial e requer calma e paciência para trazer o paciente de volta à realidade, sem grandes traumas.

· São várias as causas que geram crises de alucinação e o paciente deve passar por uma avaliação médica para determiná-las com segurança.

· Deve-se estar atento à presença de doenças do sistema urinário, infecções, dependência de álcool, reações adversas às medicações utilizadas, desidratação, dores severas e presença de fecaloma (fezes em consistência de pedra).

· O cuidador deverá estar atento às reações colaterais dos medicamentos utilizados pelo paciente (efeito que ocorre simultaneamente ao desejado, nem sempre confor-tável para o paciente). Em presença de qualquer reação adversa (efeito indesejado e não esperado apresentado pelo paciente), como mudanças comportamentais, tre-mores etc. o médico deve ser avisado imediatamente.

· Com o avançar da idade, a diminuição das acuidades visual e auditiva pode ser um fator desencadeante de alucinação. É importante que o paciente visite regularmente seu médico para avaliação dessas funções e possível encaminhamento à especialistas em oftalmologia e fonoaudiologia.

· Não se deve discutir com o paciente aquilo que ele diz ver ou ouvir, tampouco entrar na alucinação concordando com aquilo que ele vê ou ouve. Frases como: "sei que você viu, mas eu não vi", costumam acalmar e transmitem confiança.

· Tente conduzir o paciente para outro lugar da casa, convidando-o a passar por áreas mais claras, quando a alucinação acontece.

· Busque atividades interessantes que o agradem e distraiam, observe fotos de paisagens bonitas, álbuns de família. Estes são alguns exemplos que ajudam a reduzir alucinações.

· Tente trabalhar sempre na tentativa de trazer o paciente à realidade. Observe quais ruídos, objetos etc. são responsáveis pela alucinação e providencie para que sejam removidos.

· Cortinas, papéis de parede ou louças estampadas costumam gerar crises, nesse caso, é conveniente substitui-los por padronagens lisas e claras.

· Sombras na janela, podem ser provocadas por vegetação (folhas de árvores que balançam ao vento), e neste caso, devem ser podadas.

· Evite espelhos, em algum momento da evolução da doença eles podem desencadear uma crise alucinatória, quando por exemplo o paciente perder a capacidade de reconhecer sua própria imagem refletida. Cobri-los ou removê-los é o ideal.

· Saiba respeitar uma crise de alucinação, que para o paciente é bastante real, com palavras calmas, tom de voz suave e o toque carinhoso, traga-o de volta à realidade, transmitindo-lhe confiança.

10. ELE ESTÁ ME ACUSANDO DE TÊ-LO ROUBADO... Trata-se da falsa crença que o paciente apresenta de estar sendo roubado, perseguido por pessoas estranhas ou membros da própria família. Alteração conhecida por delírio. Acredita que não está em sua casa e freqüentemente pede para ir embora, desconhece as pessoas que com ele convive dizendo que há estranhos em casa.

· Todas as alterações de comportamento apresentadas na doença de Alzheimer são responsáveis por grande transtorno familiar, gerado pela "sensação" de incapacidade que o cuidador sente em manejar adequadamente os pacientes que as apresentam.

· É extremamente importante que o cuidador tenha consciência de que o paciente não sabe o que está fazendo. Agir com calma, paciência e carinho diante de delírios.

· Tranqüilize-o caminhando pela casa para mostrar-lhe que não há ninguém estranho.

· Mantenha objetos familiares a ele espalhados pela casa, para que dessa forma ele não se sinta em ambiente estranho.

· Não responda às acusações, lembre-se, ele não sabe o que faz.

· Se ele não confia mais em quem sempre administrou suas economias, não se magoe, entregue esta função a outra pessoa de confiança.

· Quando ele solicita a todo momento que quer ir embora para casa, leve-o a dar uma volta e retorne dizendo: Pronto...! chegamos em casa. Este é um artifício bastante eficaz. No entanto, saia de casa acompanhado por mais uma pessoa, no momento em que ele estiver calmo.

· É muito comum que ao desconhecer um rosto conhecido e amigo, ele o confunda com um agressor de um assalto que nunca existiu. Entenda que este é um delírio e que por mais que ele o ofenda você deve tentar acalmá-lo com carinho. O que para você é um delírio, para ele é uma realidade.

· Use e abuse do toque suave, do abraço e dê todo o amor e respeito que o paciente precisa e merece. As situações motivadas pelo delírio devem ser tratadas com delicadeza e seriedade.

11. COMO EU O "OBRIGO" A TOMAR O REMÉDIO? Alguns pacientes recusam-se a tomar as medicações prescritas, outros querem medicar-se a todo momento. É importante reconhecer que medicamentos e doses só devem ser administrados se prescritos por um médico.

· Sempre que o paciente necessitar ser medicado, deve-se consultar um médico.

· Nunca dê remédios (por mais "inofensivos" que possam parecer) ou receitas caseiras para gripe, obstipação intestinal, hipertensão etc., sem que seu médico esteja ciente. É comum a ocorrência de problemas sérios após o uso de medicamentos ditos "inofensivos".

· Informe todos os médicos envolvidos com o paciente com respeito às drogas utilizadas por ele.

· Reações adversas podem ocorrer: agitação, alucinação, prostração, dores abdominais, náuseas, vômitos etc., neste caso o médico responsável deve ser avisado imediatamente.

· Pacientes que fazem de uso de medicação digitálica devem ter seus batimentos cardíacos contados antes da medicação, pulsações abaixo de 60 batimentos/minuto devem ser comunicadas ao médico.

· As medicações hipotensoras (para pressão alta) exigem controle da pressão arterial antes de serem ministradas, naqueles pacientes que apresentam variações da pressão.

· Caso haja uma queda súbita da pressão arterial, contate o médico e mantenha o paciente no leito com os membros inferiores elevados, sem travesseiros. Oferecendo líquidos à vontade.

· O cuidador jamais deverá mudar doses e horários das medicações sem consultar o médico anteriormente.

· Nunca repartir medicamentos com outros cuidadores ou pacientes, lembre-se que uma mesma droga pode ter efeito benéfico em um paciente e produzir efeitos nocivos em outro.

· Mantenha em seu poder uma lista atualizada dos medicamentos que estão sendo utilizados pelo paciente, contendo nome da medicação, dose, horário e data do início do tratamento. Estes dados poderão ser úteis em casos de reações adversas ou superdosagem.

· Procure saber com antecedência quais farmácias mais próximas estarão de plantão nos finais de semana, feriados e/ou plantão 24h.

· Mantenha sempre à mão o número de telefone do médico, hospitais e prontos-socorros para eventuais atendimentos de emergência.

· Claramente, o cuidador deve informar ao paciente o tipo de medicamento que ele está usando e porquê. Esta medida é muito eficiente especialmente nas fases iniciais da doença e fará com que o paciente aceite a medicação com maior facilidade.

· Caso o paciente não aceite a medicação, porque tem dificuldade para engolir ou cospe os comprimidos, estes devem ser triturados e misturados aos alimentos ou ao suco.

· Se a absorção do medicamento for no estômago e produzir intolerância gástrica (azia, náuseas, vômitos, plenitude), o médico deve ser comunicado para, se for o caso, interromper a terapêutica, substituir a apresentação (de comprimido para líquido ou injetável) ou ainda prescrever um protetor gástrico, simultaneamente.

· Supervisionar doses e horários das medicações prescritas é dever do cuidador, que não deve esperar que o paciente as tome por si só. Haverá um momento em que a responsabilidade pela administração das drogas ficará inteiramente a cargo do cuidador.

· Armários que contenham medicamentos deverão ser mantidos fechados à chave, e estas guardadas em local inacessível ao paciente.

· O paciente nunca deverá ficar sozinho com medicamentos ao seu alcance.

· Ao administrar a medicação, o cuidador deverá ter certeza de que o paciente engoliu, pois caso ele não o tenho feito, além de não estar medicado, se cuspiu, crianças e/ou animais domésticos poderão acidentalmente ingeri-los.

· Qualquer suspeita de superdosagem de medicamentos ou ingestão de produtos tóxicos deve ser comunicada ao médico antes de se provocar vômitos ou realizar qualquer tipo de procedimento.

· Em situações de emergência, quando não é possível o contato com o médico do paciente, este deve ser levado imediatamente ao pronto socorro mais próximo.

12. PROTEGER O PACIENTE DE SI MESMO, COMO? Pacientes confusos, vagantes, com limitações motoras, desorientados no tempo e no espaço, necessitam de supervisão constante e algumas medidas, que previnam a ocorrência de acidentes, tanto domésticos quanto em ambientes externos devem ser adotadas. Dessa forma pensar em adaptar o ambiente tornando-o mais seguro e é de suma importância.

· Adotar medidas preventivas ainda é a maneira mais eficaz de se promover a segurança do paciente portador da doença de Alzheimer.

· É importante enfatizar que todos os cuidados preventivos estão intimamente relacionados com a adaptação ambiental.

· Inicialmente analise cada compartimento da casa, a fim de eliminar riscos potenciais de acidentes.

· A cozinha e o banheiro são freqüentemente os dois ambientes mais perigosos para o portador da doença de Alzheimer.

· Embora as adaptações sejam necessárias, não devem descaracterizar totalmente o ambiente familiar ao paciente e pelo qual ele tem apreço. Assim, móveis e objetos familiares a ele devem ser mantidos no mesmo lugar.

· Todos os objetos perigosos devem ser removidos, genericamente: os pontiagudos, cortantes, quebráveis ou pesados (faqueiro, martelo), pequenos objetos como alfinetes, botões, agulhas, moedas (que podem ser engolidos), devem ser guardados em local seguro.

· Objetos como eletrodomésticos, louças, facas devem ser guardados em local seguro.

· Estimule-o a ajudar com tarefas simples que não ofereçam perigo.

· Nunca permita que o paciente execute atividade na cozinha quando estiver sozinho. Pense que ele pode não se recordar de como manipular eletrodomésticos com segurança.

· Uma dona de casa que não mais consegue ligar uma batedeira de bolo deve ser estimulada da seguinte forma: "Tenho uma nova receita que gostaria que você fizesse, no entanto o 'segredo' para que ele fique gostoso é que deverá ser batido à mão".

· Não permita que o paciente aproxime-se de panelas contendo alimentos quentes, chama do fogão.

· Mantenha o gás desligado.

· Atenção com a porta da cozinha se ela se comunicar com o exterior da casa, mantenha-a fechada.

· Mantenha produtos de limpeza, desinfetantes, detergentes ou inflamáveis como álcool em armários, que devem permanecer fechados.

· Mantenha fósforos e acendedores em local inacessível ao paciente.

· A geladeira deve ser mantida limpa e fechada. Lembrar que a maioria dos pacientes mantém uma dieta alimentar (como os hipertensos e diabéticos) que deve ser respeitada.

· Gavetas na cozinha que acondicionam objetos pesados (faqueiros, por exemplo), devem ser colocadas na parte inferior do armário para evitar acidentes, caso haja o desencaixe. É extremamente comum pacientes sofrerem traumas (cortes, fraturas), após abrirem esse tipo de gaveta que (sem travas), caem aos pés gerando o acidente.

· O piso da cozinha deve ser preferencialmente antiderrapante. Nunca o encere, o risco de quedas com conseqüente fratura é muito alto.

· Os banheiros geralmente apresentam pisos lisos e escorregadios, deve-se providenciar tapetes antiderrapantes (emborrachados) para evitar quedas.

· Se possível, deve-se colocar barras de segurança na parede do interior do box e ao lado do vaso sanitário, elas permitem que o paciente se apoie e sinta-se seguro e ainda evitam que ele se apoie em suportes falsos, como os de toalhas, cortinas, a pia.

· Retire do armário do banheiros todos os medicamentos, lâminas de barbear, soluções etc. Mantenha apenas os objetos pessoais de higienização.

· As tomadas devem ser especiais, cobertas por tampas.

· Luminárias devem ser colocadas no alto, grandes lustres devem ser evitados. Fios e extensões mantidos fora da área de circulação.

· Fechaduras devem possibilitar a abertura da porta pelos dois lados, pois auxiliam o cuidador caso o paciente tranque-se e não consiga abrir a porta.

· As janelas nunca devem permanecer abertas, quando o paciente estiver só. Deve-se avaliar a necessidade de colocação de telas ou grades, especialmente nos casos de o paciente residir em apartamentos.

· Mesas de centro, móveis com vidros e saliências pontiagudas devem ser removidos, quando constituem obstáculo à passagem.

· Tacos soltos devem ser colados.

· Tapetes soltos devem ser removidos, pois facilitam as quedas.

· Pisos com desenhos podem desorientar, desequilibrar e gerar crises de alucinação e quedas.

· Os lugares por onde o paciente circula devem ter preferencialmente pisos antiderrapantes, lisos (sem estampados), sem tapetes soltos, livres de objetos que possam confundir e ocasionar quedas.

· Os sofás, poltronas ou cadeiras devem ser envolvidos cuidadosamente. Devem ser firmes, fortes, com antebraços que permitam o apoio para o ato de sentar e levantar, devem ainda ser revistidos de material impermeável e lavável, principalmente nos casos de pacientes incontinentes.

· As paredes devem ser pintadas em tom pastel, não é aconselhável o uso de papéis de parede estampados e com desenhos, pois podem gerar crises e alucinação e agitação.

· As portas devem ser mantidas fechadas e todas as chaves (com cópias) em poder do cuidador, ou em local seguro inacessível ao paciente.

· O paciente nunca deve ficar totalmente no escuro, instalar luz de vigília - pequena luz que ligada à tomada, produz iluminação suficiente.

· A cama convencional e baixa é indicada nas fases iniciais da doença, deve-se sempre, no entanto, avaliar a necessidade de colocação de grades laterais.

· Os pacientes agitados devem ter sua cama encostada em uma das paredes e possuir grade lateral. · As camas hospitalares com grades laterais e providas de colchão "casca de ovo" são indicadas para pacientes de alta dependência.

· A iluminação natural é ideal. Deve-se manter os ambientes claros e arejados.

· Caso haja escadas, estas devem ser bem iluminadas e contar com corrimão de ambos os lados.

· Distraia-o para que ele não suba e desça escadas desnecessariamente.

· Os passeios externos devem ser incentivados, porém estarão subordinados ao grau de dependência apresentado.

· Em qualquer fase da doença o paciente jamais deverá permanecer desacompanhado fora de casa.

· Passeios de carro podem ser agradáveis, providencie para que haja travas nas portas, que impeçam que elas abram por dentro. Acomode o paciente preferencialmente com um acompanhante na parte traseira do automóvel, com cinto de segurança.

13. É UMA CONVULSÃO: SOCORRO!!! Alguns pacientes podem apresentar convulsões, que geralmente ocorrem nas fases mais tardias da doença, isto no entanto, não impede que elas possam acontecer precocemente. O cuidador deve estar preparado para esta ocorrência que, via de regra, assusta enormemente, dando a impressão que o paciente pode morrer.

· Em primeiro lugar, mantenha a calma.

· Posicione o paciente no leito ou mesmo no chão se ele caiu, com a cabeça lateralizada.

· Evite colocar a mão em sua boca para puxar a língua, no máximo coloque um objeto cilíndrico (como uma caneta) entre os dentes, para evitar que ele se machuque mordendo a própria língua.

· Desabotoe golas e colarinhos, mantenha as vestes frouxas e confortáveis.

· Mantenha o ambiente arejado.

· Proteja-o de quedas, fique ao seu lado.

· Caso seja a primeira vez que isso ocorre, contate imediatamente o médico responsável.

· Se o paciente já usa medicação anticonvulsiva e, ainda assim, está apresentando convulsões, contate o médico, para que haja um ajuste na medicação prescrita.

· Fique calmo, dificilmente o paciente morre durante uma convulsão.

· Não alimente pacientes convulsivos com grandes quantidades de alimentos, pois, caso ele apresente uma convulsão com o estômago cheio, o risco de aspirações é muito maior.

· Fracione sua dieta, ofereça várias vezes ao dia pequenas quantidades de alimentos.

· É da maior importância, que a segurança do paciente seja mantida durante uma crise convulsiva, que pode ser do tipo tônica (quando o paciente apresenta o corpo contraído), clônica (quando o paciente apresenta "pulos", como se estivesse exposto a um choque elétrico) ou mista, do tipo tônico-clônica.

· Pense que as quedas são bastante comuns durante uma crise convulsiva, no momento em que o paciente se "bate". Essas quedas, freqüentemente trazem conseqüências ruins para ele, como as fraturas ou traumas cranianos, por exemplo.

14. ELE ENGASGOU... E AGORA? Engasgos são muito freqüentes nos portadores da doença de Alzheimer, nas fases mais avançadas o cuidador deve permanecer atento para esta ocorrência.

· Evite alimentos secos, como biscoitos tipo "sequilhos", que embora sejam macios constituem-se grande perigo.

· Pense que a peristalse (movimento de contração do esôfago que "empurra" o alimento para a frente) encontra-se diminuída e, neste caso, o paciente sente que o alimento está parado na garganta.

· Quando perceber que ele está engasgando facilmente, consulte um profissional capacitado - fonoaudiólogo - para que seja analisado o grau de comprometimento apresentado na deglutição e receber orientações sobre a apresentação (consistência) da dieta.

· Genericamente, pode-se mudar a consistência da dieta de sólida para pastosa, o que diminui o risco de engasgamentos.

· Separe cada alimento e passe-o por peneira fina ou triture-o em liquidificador, apesar da dependência, permita que o paciente sinta o sabor de cada um deles.

· Em situações de engasgos, não dê tapas nas costas, levante os braços do paciente, ou dê água.

· Posicione-se imediatamente por trás dele, abraçando-o cruze as mãos, mantenha sua cabeça inclinada para frente e comprima o diafragma.

· Dê preferência aos líquidos engrossados, eles minimizam o risco de engasgamentos.

· Frutas devem ser oferecidas em forma de purê.

· Gelatinas são sobremesas saborosas e apresentam boa consistência, podendo ser usadas como engrossantes para líquidos finos.

15. É PRECISO MANTÊ-LO OCUPADO! Manter atividades é extremamente importante, porém deve-se levar em consideração as preferências anteriores do paciente na tentativa de mantê-las por maior tempo possível. Ouvir o aconselhamento de profissionais capacitados em manter as atividades é bastante útil, dessa forma, a ajuda de um fisioterapeuta e de um terapeuta ocupacional proporcionará adequada manutenção das atividades exercidas pelo paciente, respeitando-se o grau de dependência apresentado.

· Todas as atividades devem estar subordinadas às habilidades e limitações atuais do paciente.

· Observe e considere as preferências do paciente, desde que elas não representem perigo para ele.

· Crianças costumam alegras pessoas idosas. Planeje atividades que envolvam pacientes e crianças, porém, lembre-se, elas devem ser supervisionadas. Considere que um simples choro de criança pode assustá-lo e precipitar crises de agitação e agressividade.

· Quando possível, convide-o às compras ou leve-o a passear por um centro comercial. Esta atividade distrai e permite o exercício físico, tão necessário a ele.

· Se possível, busque aconselhamento com profissionais capacitados (terapeuta ocupacional), que certamente terão condições de avaliar e indicar quais atividades poderão ser executadas pelo paciente, segundo as limitações físicas e/ou mentais apresentadas.

· O paciente deve receber orientação de como realizar uma determinada atividades todas às vezes que for executá-la. Lembre-se que provavelmente você terá que terminá-la por ele.

· Atividades domésticas simples, como varrer, tirar o pó, devem ser encorajadas, pois irão gerar, no paciente, um sentimento agradável de participação e utilidade. No entanto, você deve supervisionar estas atividades.

· As habilidades devem ser analisadas, individualmente. A falta de interesse demonstrada pelo paciente pode simplesmente significar que ele não consegue realizar o tipo de atividade oferecida.

· As atividades sociais fora de casa devem ser selecionadas, amigos ou parentes que o acompanham devem ter plena consciência de suas limitações, para que possam agir transmitindo calma e segurança.

· O cuidador deverá ser bastante criativo e observador para adaptar e talvez substituir atividades que outrora eram realizadas com perfeição, mas que agora já não são mais possíveis.

· As atividades profissionais (desde que possível) devem ser incentivadas e o paciente observado sutilmente, ainda que seja preciso que outra pessoa, em um segundo momento, refaça a tarefa executada por ele.

· As atividades domésticas deverão contar com uma supervisão adequada, especialmente aquelas executadas na cozinha. Utilize estratégias como: "Hoje trouxe-lhe uma receita deliciosa de bolo, no entanto, o segredo é batê-lo à mão", evitando com isso prováveis acidentes com eletrodomésticos.

16. O QUE EU FAÇO QUANDO ELE TIRA A ROUPA EM PÚBLICO? Comportamentos inadequados em público ou abordagens inconvenientes a cuidadores ou cônjuges são ocorrências extremamente comuns, saber lidar com alterações de comportamento que envolvam a sexualidade é delicado e exige muita calma e discrição.

· Deve-se encarar racionalmente e com naturalidade os comportamentos inadequados apresentados pelo paciente. Se estas ocorrências forem constantes e constrangedoras, deve-se consultar um médico e com ele discutir o comportamento apresentado pelo paciente.

· Muitas vezes, a carência de afeto leva a distúrbios comportamentais. Ofereça amor, carinho e compreensão. A sua presença e o toque suave diminuem a ocorrência desses distúrbios.

· Às vezes cuidadores são abordados pelo paciente com insinuações inapropriadas. É importante distrai-lo, tentando desviar sua atenção com outro assunto.

· Considere que alguns comportamentos encarados como inadequados, podem estar relacionados a alguma necessidade correspondente. Tirar a blusa em público pode simplesmente significar que o paciente está com calor ou a blusa está apertada.

· O cuidador atencioso deve observar às variações de temperatura e o tipo de vestuário (tecido, conforto) adequado para o paciente.

· O paciente deve ser levado ao banheiro a intervalos regulares de tempo. Tirar as calças inesperadamente pode significar que ele quer apenas ir ao banheiro.

· Manipular genitais pode significar assaduras, coceiras nesta região. Aproveite o momento do banho para observar sua pele.

· Pode ser que o cuidador observe o paciente masturbar-se freqüentemente. Com tranqüilidade, explique-lhe que esta é uma prática que merece ambiente reservado.

· Jamais reaja com ironia ou estardalhaço diante de comportamento sexuais inusitados. Seja gentil e paciente, porém com firmeza.

· Ao chamar a atenção, faça-o com cuidado, lembre-se que reações ríspidas e intolerantes podem trazer prejuízos para crianças, se elas estiverem presentes.

· A ansiedade pode ser controlada com um contato físico (um abraço, por exemplo), não esqueça que atitudes gentis transmitem calma e confiança.

· Diante de situações constrangedoras, não permita que o paciente fique exposto ao ridículo. Delicadamente, conduza-o para outro ambiente e com extrema calma, explique-lhe que seu comportamento é inadequado.

17. ELE GOSTAVA DE VIAJAR, NÃO PODE MAIS? O lazer deve ser encarado como necessidade básica e dessa forma, todos os hábitos e preferências do paciente devem ser mantidos e adaptados segundo o grau de dependência apresentado e visando preservar e manter, por longo tempo, atividades que produzam bem estar.

· Uma das alterações que o paciente apresenta é a desorientação espacial. Deve-se ter muito cuidado com mudanças de ambiente, que produzam estranheza a ele fazendo com que possam ocorrer crises de delírio, agitação e alucinação.

· As viagens são indicadas, desde que curtas.

· O motorista deve avaliar a necessidade de parar o veículo a intervalos de tempo que não excedam 2h, para dar oportunidade ao paciente de caminhar, alimentar-se ou ir ao banheiro.

· Evitar viagens de automóvel no meio do dia, especialmente no verão.

· É aconselhável iniciar uma viagem de carro, ao amanhecer, aproveitando que o paciente (na maioria dos casos) acorda cedo.

· As viagens de avião também são permitidas, porém deve-se levar em conta as horas do vôo. Converse com seu médico, apenas ele poderá avaliar a necessidade ou não de medicar o paciente, a fim de mantê-lo tranqüilo durante a viagem.

· Nas paradas, jamais se descuide dele, mantenha-o identificado (pulseiras, medalhas, etiquetas), atenção! ele pode perder-se.

· Se houver um comportamento inadequado em público, discretamente retire-o do ambiente. Infelizmente para as pessoas que desconhecem a doença, alguns comportamentos apresentados provocam risos. Não permita que o paciente sinta-se exposto ao ridículo, ele é sua responsabilidade, trate-o com amor e respeito.

· Permita que o paciente assista a filmes antigos, considere que sua memória antiga pode estar preservada.

· Ir a restaurantes também é um hábito que deve ser mantido, se agrada ao paciente. Pense, no entanto, na escolha ideal. Restaurantes discretos e tranqüilos são os mais indicados.

18. ELE ME BATEU!! Dentre as alterações de comportamento apresentadas pelo paciente no curso da doença de Alzheimer, a agressividade é sem dúvida a que atinge mais negativamente o familiar/cuidador. Dificilmente a família consegue entender o que se passa com o paciente agressivo, fazendo com que uma pequena crise apresentada por ele, gerada muitas vezes por ocorrências simples, como o estímulo ao banho, alcance grandes proporções, fato responsável por conflitos conjugais e familiares intensos, que pode ser refletida na decisão que algumas famílias tomam de institucionalizar o paciente.

· Não revide agressividade, nem verbal, nem física. Embora o paciente aparentemente saiba o que está fazendo, você tem que ter a consciência de que ele não sabe.

· A primeira providência a ser tomada é identificar a causa da agressividade.

· Rotinas impostas que o paciente não aceita, como horários de refeições, higienização, roupas que não agradam, atividades escolhidas e impostas por outras pessoas etc., geralmente geram crises naqueles pacientes que apresentam esta alteração.

· Analise com cuidado o tom de voz e as palavras ditas pelo cuidador ao paciente.

· Use sempre ao dirigir-se a ele palavras simples, em tom de voz suave.

· Sempre que possível, dê a ele a oportunidade de opinar sobre vestuário, alimentação, atividades etc.

· Lembre-se que qualquer situação que provoque desconforto físico e/ou mental pode ser responsável por crises de agressividade.

· Não se sinta incompreendido pelo médico que acompanha o paciente se ele optar por não medicar o paciente agressivo. Lembre-se antes de recorrer à medicações, é extremamente válido tentar identificar causas e aprender como atenuar as crises, sem auxilio de medicamentos.

· Procure informar-se com seu médico, ele melhor do que ninguém poderá explicar-lhe o efeito nocivo que a maioria das medicações utilizadas para manter o paciente calmo pode trazer para as funções de memória, atenção, linguagem, marcha, orientação etc.

· Tente entender que o melhor para o paciente é que o cuidador esgote todas as possibilidades para acalmar a agressividade. Apenas em situações extremas, quando ela foge totalmente ao controle do cuidador é que haverá a necessidade de se encontrar, médico e familiar, a medicação e dosagem adequada.

· Algumas medicações com o passar do tempo, podem produzir efeitos negativos, que o paciente demonstra através da piora de suas funções, marcha cambaleante e arrastada, rigidez, salivação excessiva, inapetência, extrema apatia e sonolência. Nestes casos contate o médico para que ele substitua ou administre a dosagem prescrita.

· Lembre-se, apenas com calma e grande paciência você conseguirá trazer o paciente a realidade.

19. ATENÇÃO! DEPRESSÃO É UMA DOENÇA TRATÁVEL!! Alguns portadores podem apresentar estados depressivos, isto ocorre mais comumente nas fases iniciais da doença. Muitas vezes o paciente pode estar percebendo o que está acontecendo com ele e, por isso, se entristece.

· Tentar entender o que ocorre é uma obrigação do cuidador atencioso.

· Pense que muitas vezes o paciente pode conhecer o que se passa com ele, e por esta razão se entristece.

· Evite comentários sobre a doença em presença do paciente, não existe uma forma de se saber em qual momento ele está mais orientado e, assim, pode ouvir comentários desagradáveis do tipo, "ele está me dando muito trabalho".

· Observe se há sinais de inapetência e porquê, pacientes deprimidos tendem a recusar alimentação.

· Investigue sinais da presença de infecções como prostração, expressão facial contraída (que pode significar dor), problemas com a marcha, perda involuntária de urina e fezes etc., estas situações, especialmente no início da doença, tendem a fazer com que o paciente dissimule e omita da família, por sentir-se um "peso" econômico e isto faz com que acabe se deprimindo.

· Demonstrações de carinho ainda são a melhor forma de evitar e/ou eliminar a depressão, faça com que o paciente sinta-se querido pela família.

· Mesmo conhecendo as limitações físicas e/ou mentais do paciente, continue estimulando-o a realizar atividades que ele possa executar.

· Elogie-o sempre após uma atividade executada por ele, mesmo que ela esteja inacabada ou mal feita. · Diga palavras positivas que demonstram carinho, isto aumenta a auto-estima, como: "Como você hoje está bonito", ou, "Ninguém faz isso melhor do que você" etc.

· Observe se o paciente tem empatia com o cuidador, algumas vezes, mesmo diante de um cuidador experiente, os pacientes deprimem-se por não simpatizarem com ele.

· Tente manter um cuidador do mesmo sexo do paciente, pense que ao se sentir invadido em sua intimidade, o paciente pode deprimir-se.

20. ELE PERDE URINA NA ROUPA, E AGORA! Esta é uma ocorrência bastante comum nas fases mais avançadas da doença de Alzheimer, e motivo de grande constrangimento, tanto para pacientes, quanto para cuidadores. É importante que se analise se há uma razão para estar havendo a perda involuntária de urina ou fezes, pois muitas vezes, o problema é reversível.

· Observar sinais de infecção urinária é de extrema importância, como baixo débito urinário com oferta adequada de líquidos, disúria (dificuldade para urinar), sensação de queimação à micção, urina concentrada (escura) com odor fétido, mudanças de comportamento etc., e diante disto, contatar o médico.

· Problemas com a marcha, como dificuldade para caminhar, dores e rigidez de articulações, medo de cair, localização do banheiro muito distante, podem ser fatores que contribuem para o aparecimento da incontinência, que neste caso, é reversível. Basta para isso, criar condições que facilitem o acesso ao banheiro e que o paciente chegue até lá com segurança.

· Observe o intervalo de tempo entre uma micção/evacuação e outra e, providencie para que o paciente seja conduzido ao banheiro antecipadamente.

· Os pacientes comprovadamente incontinentes devem fazer uso de fraldas geriátricas à noite e, durante o dia, acompanhados ao banheiro obedecendo-se os intervalos que ele apresenta entre uma micção e outra.

· Aqueles que apresentam impossibilidade completa de treino vesical (acompanhamento periódico ao banheiro), devem fazer uso de fraldas geriátricas ininterruptamente.

· As fraldas deverão ser trocadas em intervalos máximos de 3h ou antes se necessário.

· Evite que ele permaneça com fraldas molhadas, não esqueça que a acidez da urina pode provocar pruridos (coceiras), assaduras e lesões na pele.

· Providencie para que, a cada troca, seja realizada uma higiene íntima completa, ou seja, não se deve limpar a região dos genitais e sim lavá-las com água e sabonete.

· As infecções urinárias de repetição (especialmente em senhoras) têm sido comprovadamente causadas pela má higienização, ou seja, o hábito de, após micção, utilizar o papel higiênico de trás para frente, fazendo com que haja uma contaminação fecal gerada pela ascensão uretral de bactérias presentes na flora intestinal.

· Os pacientes que recebem uma dieta adequada costumam ter seus hábitos intestinais regulares. Assim é muito fácil controlar a evacuação, mesmo naqueles que apresentam incontinência fecal, basta para isso, observar seu horário habitual e conduzi-lo ao banheiro com antecedência.

· A agitação do paciente, muitas vezes significa que ele precisa ser trocado.

21. APARECEU UMA FERIDA, ISSO É GRAVE? Um dos problemas mais comuns apresentados pelo portador da doença de Alzheimer, especialmente aqueles que mantém-se por longos períodos no leito ou poltronas são as úlceras por pressão (escaras). Existem muitas causas que podem ser responsáveis pelo seu aparecimento, entre elas, desnutrição, desidratação, anemias, infecções, aparelhos gessados, má higienização e, a mais freqüente, imobilidade.

· Observe com atenção se o paciente está recebendo dieta e hidratação adequadas.

· Deve-se prevenir a qualquer custo o seu aparecimento.

· Mantenha a pele hidratada, utilizando loções hidratantes por todo o corpo após o banho.

· Pacientes mais dependentes devem ter, sobre o colchão normal, o colchão casca de ovo.

· Os lençóis devem estar perfeitamente esticados sobre a cama, livres de pregas e rugas que machucam a pele.

· Os lençóis devem ser trocados sempre que forem molhados.

· Se o paciente recebe sua alimentação no leito, eleve a cabeceira, e ao final, inspecione a cama para remover quaisquer resíduos de alimentos que, eventualmente, tenham caído durante a refeição.

· Deve-se evitar pressões demoradas do corpo sobre a cama, especialmente em regiões com proeminências ósseas como, parte lateral do quadril e coxa, região do cóccix (final da coluna), ombros, entre os joelhos, cotovelos, tornozelos, calcanhar.

· Posicionar o paciente na cama ou poltrona, com pequenas almofadas casca de ovo, nas regiões críticas.

· Quando no leito, fazer mudança de decúbito (posição) de 2/2h.

· Ao mobilizar o paciente ou quando for trocá-lo, massagear a pele que está sofrendo pressão maior.

· Quando estiver sentado, mantê-lo sobre uma almofada casca de ovo, e, levantá-lo a cada duas horas, massageando a pele que está sofrendo pressão.

· Qualquer sinal de hiperemia (vermelhidão) na pele, deve merecer maior atenção, proteja a região avermelhada com hidratantes, faça massagens que irão ativar a circulação e se possível, exponha a região ao calor.

· A higiene rigorosa da pele é a maior arma que se tem para se prevenir ou deter a evolução de uma escara. Por isso, em caso de pequena lesão aberta, esta deve ser lavada com água e sabão, e não sofrer pressão de nenhuma espécie.

· As lesões mais profundas devem ser lavadas com Soro Fisiológico 0,9%, morno (para que não haja vasoconstrição ), e tratadas com cremes/pomadas ou antibióticos sistêmicos prescritos pelo médico.

· Todas as lesões devem ser expostas ao calor, a luz solar matinal, ou o calor artificial, gerado por uma lâmpada infra vermelha, que deve ser aplicada à pele com cuidado, para não produzir queimaduras, ou seja, num tempo de exposição de aproximadamente 15 minutos, a uma distância da pele de 30cm. Este calor promoverá a vasodilatação sangüínea, aumentando a oferta de oxigênio aos tecidos, facilitando a cicatrização.

· Se surgirem pequenas bolhas na pele, não se deve furá-las, mas expor ao calor seguindo a mesma orientação anterior.

· Lesões infectadas (com presença de pus), devem ser avaliadas pelo médico, ele saberá indicar qual creme ou pomada estará indicado a cada paciente, individualmente.

· Lesões infectadas podem receber curativos com açúcar, e neste caso, manter o açúcar na lesão por um período não superior a 30 minutos, lavando bem em seguida a área afetada e procedendo após, o curativo habitual.

· Não coloque sobre a lesão nenhum tipo de receita caseira, ensinada por amigos, vizinhos ou curiosos, lembre-se, apenas o médico, após avaliação, terá condições de prescrever a medicação e curativos corretos.

· Atenção! Sua maior arma contra as escaras é a prevenção. Isto se faz através da observação rigorosa do paciente, de sua pele, da higienização e da mobilização.

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Material desenvolvido por:
Ceres Eloah de Lucena Ferretti
Enfermeira, doutoura em Ciências pela Unifesp-EPM

Fonte: Convivendo com Alzheimer – dicas gentilmente cedidas pelo Laboratório NOVARTIS
http://www.alzheimer.med.br/

Tuesday, July 25, 2006

Secretaria de Saúde anuncia mudanças no Hospital do Gama

No pronto-socorro, os pacientes passam horas esperando por atendimento


. “Eu cheguei hoje cedo. Mas já me avisaram que eu só vou sair daqui no final da noite”, fala Moacir Cavalcante, motorista.

Na semana passada, o DFTV mostrou a difícil situação do Hospital Regional do Gama. Superlotação, equipamentos fundamentais para salvar pacientes, como o desfibrilador - usado para reanimar, o monitor que mostra a freqüência cardíaca e o que verifica o nível de oxigênio, a respiração e o pulso não estavam funcionando. Por falta de médicos anestesistas, cirurgias são desmarcadas. Cerca de dois mil pacientes aguardam na fila.

“Há dois anos que o meu filho está na lista de espera do otorrino. E até hoje não foi atendido”, reclama Sandra Romão, dona-de-casa.

Os 48 médicos residentes estão em estado de greve. Dizem que não é mais possível continuar trabalhando nessas condições. “A maioria das vezes a gente tenta improvisar. Mas, realmente, o atendimento fica comprometido. O risco do paciente sempre aumenta quando não tem os materiais necessários”, afirma Rosineire Mariano, médica residente.

Os problemas foram denunciados pelo então diretor do hospital. Na última sexta-feira, Paulo Henrique foi afastado e o cargo passou a ser ocupado pelo subsecretário de Atenção a Saúde, que hoje anunciou mudanças. “Nós já temos quatro anestesistas que já estão disponíveis a partir de hoje para trabalhar no Gama. Dois vão ficar nos finais de semana e dois que já estão fazendo as cirurgias eletivas durante a semana. A meta é diminuir a demanda, abrindo os centros cirúrgicos aos sábados”, explica Evandro Silva, subsecretário de Atenção à Saúde.

A partir desta terça-feira, dia 25, o secretário de Saúde, José Geraldo Maciel, deixa o gabinete e passa a trabalhar no Hospital do Gama. Segundo a atual direção, a medida é para agilizar as mudanças que precisam ser feitas.

O Hospital do Gama também receberá quatro cardiologistas, dez clínicos e cinco pediatras. O subsecretário disse ainda que vai haver mudanças no funcionamento do pronto-socorro. Quanto aos equipamentos, ele informou que em 15 dias parte do problema estará resolvido.


Data : Segunda-feira 24 Julho 2006 - DFTV 2ª Edição



Reportagem




Nova equipe

Cláudia Toledo / Edgar de Andrade

http://dftv.globo.com/Dftv/0,6993,VDD0-2982-20060724-178813,00.html

HRG: Novas alterações: Secretário de Saúde despacha no Hospital Regional do Gama

Agora vamos ver se o problema é administrativo. Se o Secretário de Saúde não resolver, quem será o proximo a fazer plantão no HRG: o Governador? E se o Secretári não resolver, deverá ser demitido também?






Depois de demitir o diretor, secretário de Saúde despacha no hospital
No pronto-socorro os pacientes passam horas esperando por atendimento. “Eu sinto muita dor no estômago, no pé da barriga. Cheguei aqui às seis horas da manhã e não tem médico, não tem clínico para atender”, conta um rapaz.

“Primeiro eu procurei o posto de saúde. Disseram que não tinha médico e me mandaram pra cá. Aqui no hospital, também não fui atendido. Eu estou desde cedo. Tem paciente que chegou na segunda-feira e ainda não foi atendido”, reclama Rômulo Rodrigues, vigilante.

Hoje de manhã, o secretário de Saúde percorreu o hospital e garantiu a ampliação da emergência. Uma ala desativada há oito anos e em péssimas condições será reformada. O pronto-socorro passará de 80 para 110 leitos. As 450 cirurgias feitas por mês devem dobrar. A idéia é diminuir a fila de dois mil pacientes.

“Nós vamos separar a área clínica da cirúrgica. O novo pronto-socorro terá um espaço para o atendimento da clínica médica e da pediatria e outro para a cirurgia geral e a ortopedia”, explica Evandro Oliveira, subsecretário de Atenção à Saúde.

Outra promessa do secretário Saúde é a de que até agosto cheguem 29 novos médicos e equipamentos. Nessa segunda-feira, dois anestesistas começaram a atender. Geraldo Maciel anunciou ainda a reestruturação da rede hospitalar do Gama, com a criação de um centro de saúde na quadra 29 do Setor Leste.

“Dentro de quatro meses, se Deus quiser, estaremos com tudo isso concluído”, afirma Geraldo Maciel.

Data : Terça-feira 25 Julho 2006 - DFTV 1ª Edição

Reportagem

http://dftv.globo.com/Dftv/0,6993,VDD0-2982-20060725-178926,00.html




Cláudia Toledo / Edgar Andrade

Saturday, July 22, 2006

Um exemplo de superação





Artesãs com necessidades especiais dão exemplo de superação
As miçangas coloridas vão compondo pulseiras, colares. As mãos nem vacilam, já têm prática. Coisas de artesãs. Meninas que aprenderam tão rápido que hoje são profissionais. São professoras. É a primeira vez que dão aula. Ensinam com a mesma paciência que criam as bijuterias.

“As professoras incentivam e sempre dizem que tudo está bonito. Acho muito legal!”, elogia a estudante Luana Loureiro. “Elas têm muita paciência e ensinam bastante. Ajudam muito a gente”, conta a estudante Marília loureiro.

Alunas satisfeitas, professoras orgulhosas, vaidosas. Sempre enfeitadas com as próprias criações. “Eu gosto de usar as minhas peças. Acho que fico até mais bonita”, revela a artesã Mariana Pinto.

As meninas já têm até um ateliê e um novo projeto. Querem ensinar as técnicas, os segredos das bijuterias para alunos das regiões administrativas do DF, de comunidades pobres.

As bijuterias são um sucesso. Em feiras espalhadas pela cidade, o grupo vende cerca de 300 peças por mês. Um salário de mais de R$ 250 para cada uma delas.

“As pessoas levam porque gostam da peça. Só depois ficam sabendo que se trata de um projeto especial. E aí ficam mais encantadas ainda, quando descobrem que as peças foram confeccionadas por meninas que não estão no mercado de trabalho, mas fazem sucesso como qualquer outro expositor”, revela a coordenadora do grupo, Indira Lucena.

Agora, a artesã Andréa Rabelo Maciel ajuda em casa com o dinheiro das bijuterias: “É uma oportunidade que eu tenho de ajudar os outros em casa. Quando recebo o dinheiro, entrego para a minha mãe e digo: ‘Pode comprar o que quiser!’”, conta.

Serviço:
O trabalho das artesãs fica exposto na Feira da Lua, no Centro Comercial Gilberto Salomão, sábado e domingo, das 10h ás 21h.



Data : Sábado 22 Julho 2006 - DFTV 2ª Edição



Reportagem





Marina Franceschini
http://dftv.globo.com/Dftv/0,6993,VDD0-2982-20060722-178631,00.html

Thursday, July 20, 2006

Saúde em descaso

Data : Quinta-feira 20 Julho 2006 - DFTV 1ª Edição

Rafael Monaco


Roupas sujas ficam jogadas em uma sala do HRG
Hospital do Gama funciona em situação precária
O DFTV já mostrou, em diversas reportagens, reclamações dos pacientes do Hospital Regional do Gama (HRG) por falta de remédios e demora no atendimento. Nesta quinta-feira, dia 20, as reclamações partiram justamente de quem está lá para salvar vidas. Mas a tarefa nem sempre é possível.

A área de internação clínica e cirúrgica do HRG é para 65 pacientes. Hoje de manhã, havia 141. Não existem nem biombos de separação. Até os corredores são usados para colocar as macas extras. O diretor do hospital, Paulo Henrique Freitas, diz estar ciente das condições. “Passamos por uma situação muito difícil. As necessidades são eminentes. O pronto-socorro, que deveria ser contemplado com aparelhos de qualidade, não tem estrutura”, afirma.

O desfibrilador - aparelho que dá choques para reanimar os pacientes com parada cardíaca - está quebrado. Um equipamento idêntico sofreu alguns remendos, mas também não funciona. O monitor que mostra a freqüência cardíaca quebrou.

Os médicos fazem o que podem. Ou seja, se chegar um indivíduo com uma parada cardíaca, o quadro clínico será revertido à mão, e não com o aparelho apropriado.O oxímetro verifica o nível de oxigênio, a respiração e pulso do paciente, mas tem 20 anos. E o pior: está parado por falta de manutenção. “A gente sabe o que deve fazer, mas não pode fazer. Isso é tão ruim para nós quanto para o paciente, que muitas vezes terá um desfecho letal pela inadequação do equipamento”, reclama o médico residente Alexandre Martini.

Os problemas do HRG não param por aí. A geladeira que armazena insulina, remédio usado por diabéticos, é velha não é possível saber a quantos graus conserva os medicamentos. A sala dos enfermeiros virou depósito das roupas sujas de sangue dos pacientes que chegam acidentados.
Segundo o técnico de enfermagem Francisco Pimentel, o motivo é a falta de funcionários. “Não tem ninguém escalado para recolher e identificar as coisas aqui. É desestimulante, mas ninguém tem mais perspectivas”, desabafa.

Há três meses, o HRG recebeu 200 computadores da Secretaria de Saúde. Até agora, nem o programa necessário para o funcionamento das máquinas foi instalado. Para o médico André Costa, a situação é absurda. “Foi um volume de recursos muito grande e necessário em outros setores, como compra de medicamentos e equipamento básico para a emergência. Não temos isso, mas temos computadores totalmente parados, sendo sucatados rapidamente”, diz.

A direção do HRG tem outras reclamações. A sala de nebulização, que recebe pacientes com crises de asma, não tem mangueiras nem máscaras. Os 48 residentes que fizeram uma greve de seis dias na última semana prometem voltar ao trabalho. A decisão foi tomada porque a Secretaria de Saúde prometeu que um anestesista seria contratado imediatamente. A promessa, no entanto, ainda não foi cumprida.

O hospital conseguiu firmar um convênio com uma faculdade particular de medicina e dentro de dois anos deve receber uma verba em torno de R$ 1, 3 milhão. A parceria só deve ser oficializada daqui a dois meses. O secretário e o subsecretario de saúde foram convidados para participar ao vivo do DFTV, mas nenhum dos dois quis dar entrevista. Por meio de uma nota, a assessoria de imprensa informou que as reclamações sobre os equipamentos quebrados serão analisadas e que o problema da falta de anestesistas será resolvido amanhã à tarde, de modo a evitar mais uma greve dos residentes.
http://dftv.globo.com/Dftv/0,6993,VDD0-2982-20060720-178213,00.html

Continua a Greve no HRG

Data : Terça-feira 11 Julho 2006 - DFTV 1ª Edição



Reportagem





Rafael Monaco / Caio Coutinho





Pacientes sofrem com a falta de médico no Hospital do Gama
Médicos residentes do Hospital do Gama continuam de braços cruzados
Seis dias de greve e haja paciência. E esperar muito é a única saída para quem precisa ser atendido. “Cada os homens da lei para fazer com que a gente receba um atendimento humana. A gente contribui com tantos impostos, mas quando é para ser bem atendido de nada adianta”, protesta José Sousa, pedreiro.

“A gente tem duas opções. Ou desistimos de vir para o hospital e ficamos em casa morrendo de dor ou suporta esse péssimo atendimento. Porque as pessoas só estão sendo atendidas quando chegam morrendo”, fala Sandra Maria Santos, estudante.

Os 48 médicos residentes do Hospital Regional do Gama (HRG) continuam parados. São 20 profissionais da área clínica e 28 da cirúrgica que decidiram suspender o trabalho por falta de condições. A greve foi mantida porque, segundo os residentes, a Secretaria de Saúde não cumpriu o que prometeu.

“Os anestesistas que iriam ser apresentados ontem no hospital não foram chegou. A escala de anestesistas apresentada não entrou em vigor e o departamento de pessoal não recebeu a autorização para pagar as horas-extras para os médicos anestesistas”, afirma Rodrigo Dutra Milholi, representante dos residentes.

O pronto-socorro do Hospital Regional do Gama chega a receber 1.500 pessoas por dia. Com a greve dos residentes, a situação, que já é complicada, piorou. Hoje à tarde, às 17h, representantes dos residentes e da direção do hospital vão até à Secretaria de Saúde mais uma vez para tentar achar uma solução para o problema.

“Na verdade, é o residente que toca, praticamente, toda a rotina do hospital. A falta deles gera um grande problema. Nós temos um médico da rede que gerencia o atendimento dos residentes, ou seja, orienta-o a prescrever. Como saíram os 48 médicos residentes, esse médico da rede está sobrecarregado, passando o dia inteiro prescrevendo. Isso atrasa tudo no hospital”, explica Paulo Henrique da Silva, diretor do HRG.

Os residentes são médicos recém-formados que fazem pós-graduação em alguma área específica. Segundo eles, a paralisação também é um protesto para melhorar a formação de futuros especialistas.

“Se a gente conseguir o retorno das cirurgias eletivas e o ambulatório de cardiologia, com certeza vamos ter uma boa formação médica nas nossas áreas”, diz Rodrigo Mulholi.

Desrespeito à lei

Rafael Monaco / Maurício Barini





Deficientes físicos sofrem com o falta de respeito dos motoristas
Nos estacionamentos vagas exclusivas para motoristas portadores de deficiência física, mas na hora de usá-las o desrespeito. Carros parados nas vagas exclusivas para deficientes. Os flagrantes estão por toda parte. No Distrito Federal, são 360 vagas. A multa para o motorista infrator é de R$ 53 e três pontos na carteira.

Mesmo assim, muitas pessoas ignoram as placas. “Muitas vezes temos que ligar para a policia para que eles possam guinchar os veículos para que a gente possa utilizar as vagas ou, até mesmo, por entrar no nosso carro. Diariamente as pessoas desrespeitam os deficientes. Temos o direito, por lei, de 3% das vagas nos estacionamentos públicos. Essa porcentagem não é respeitada”, protesta Luís Maurício dos Santos, presidente Associação dos Deficientes do Gama.

“Temos a sorte de sermos atendidos, sempre que precisamos, pelo Detran e a PM. Eles multam e até guincham os carros para que a gente possa usufruir do nosso direito. Algumas pessoas chegam a pedir desculpas pela infração, mas outras, que são tão ignorantes, persistem no erro”, diz Eraldo Pereira, militar reformado.

O adesivo azul, obrigatório para os veículos de deficientes físicos, é emitido pelo Detran. É preciso ir até o órgão para encaminhar a documentação: a carteira de motorista e o laudo médico. O adesivo é fornecido em até dois dias.

http://dftv.globo.com/Dftv/0,6993,VDD0-2982-20060713-176830,00.html

Iniciativa

O presidente da Associação dos Deficientes do Gama, Luís Maurício dos Santos, foi convidado para testar as adaptações. A equipe de reportagem do Bom Dia DF acompanhou a visita.

Na entrada, o cadeirante encontrou uma pequena rampa e portas mais largas para facilitar a passagem. No banheiro, espaço amplo e adaptado com duas barras de apoio.

Na hora do tratamento, mais conforto. Se necessário, o paciente pode ser atendido na própria cadeira de rodas. O dentista encomendou equipamentos com braços mais longos. A cadeira do consultório também é maior no encosto. Dá mais segurança para quem não tem os movimentos.

“A idéia básica é oferecer mais conforto e facilitar o acesso das pessoas, de maneira que elas queiram vir. E preciso criar esse tipo de vontade nos pacientes e retirar deles o medo de obstáculos, de problemas de acessibilidade. Facilitando isso o profissional ganhará novos clientes”, explica o dentista Ulpiano Santiago.

Segundo Luís Maurício, as alterações ajudam quem tem dificuldade para se movimentar, mas citou pequenas correções: “É preciso ter força para ultrapassar a rampa da entrada. No banheiro, mesmo com as duas barras, ainda tem a questão da altura do vaso sanitário. A transferência da cadeira melhoraria com uma cinta para colocar na altura da cintura. Também tem a questão da perna”, sugere.

É importante lembrar que, só no Distrito Federal, cerca de 270 mil pessoas têm alguma deficiência. Trinta mil usam cadeira de rodas. “Essa iniciativa também serve para outros profissionais. Serve para mostrar que o deficiente também é um consumidor”, ressalta Luís Maurício.
http://dftv.globo.com/Dftv/0,6993,VDD0-2982-20060719-177880,00.html

Igreja Batista 2 de Julho oferece tradutores para deficientes auditivos que precisam do INSS

Notícias para o servidor



20 de julho de 2006 - 15:01

APOIO: Tradutora auxilia atendimento para deficientes no INSS
Igreja Batista 2 de Julho oferece tradutores para deficientes auditivos de Salvador

De Salvador (BA) - Um mundo sem sons. Assim é a vida dos deficientes auditivos. Por não escutarem, os surdos não são capazes de reproduzir os sons da fala, um importante instrumento para a comunicação entre os seres humanos. Marguerita Fialio Cunha (36) se dedica há 10 anos ao trabalho de tradução entre surdos e ouvintes.

Hoje (20) pela manhã ela acompanhou a deficiente Débora Maria Andrade Marinho para auxiliá-la durante o atendimento na Agência da Previdência Social (APS) no Centro Histórico de Salvador. Quem aprovou a iniciativa foi o servidor do INSS, Salvador Lopes, que atendeu a deficiente auditiva acompanhada por Marguerita. “Estou aqui na agência há três meses e nunca tinha me deparado com um caso como este. Achei ótima a iniciativa, pois facilita a nossa comunicação com o segurado”, elogiou.

Ontem (19), Maria chegou na Agência do Centro Histórico por volta das 16h30 e sem a intérprete, o que tornaria difícil a comunicação durante o atendimento. Mas percebendo a aflição da segurada, o servidor Nilton Oliveira buscou por meio de gestos manter um contato e entender o que a deficiente buscava. Depois de tomar conhecimento do caso o servidor orientou a segurada a retornar hoje, junto com a acompanhante, para então ser atendida.

Débora Maria deu entrada no requerimento de pensão por morte. Em maio deste ano a deficiente perdeu a mãe. Ela foi encaminhada para realização da perícia médica para aguardar o parecer do perito médico atestando o seu direito ou não ao benefício.

Tradução - Marguerita conta que se interessou pela Linguagem Brasileira de Sinais (Libra) por curiosidade quando via pelas ruas os deficientes se comunicando. A intérprete fez um curso de três meses na Igreja Batista 2 de julho, na Carlos Gomes, Centro da Capital.

A Igreja mantém um trabalho onde os tradutores acompanham os deficientes em consultas médicas, delegacias, no trabalho e em órgãos assistenciais. “Muitos já conhecem o trabalho e nos procuram”, diz Marguerita. O serviço de orientação para surdos funciona de segunda a sexta-feira das 13 às 21h. (SCS/BA)

Monday, July 10, 2006

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CONADE realiza manifestação em defesa dos direitos das pessoas com deficiência

O CONADE realizou, no dia 07 de outubro, uma manifestação na Esplanada dos Ministérios, em frente ao Congresso Nacional, em defesa dos direitos das pessoas com deficiência na Reforma da Previdência.
O objetivo da manifestação foi alertar o governo, os parlamentares e a sociedade para a injustiça social que será cometida para com as pessoas com deficiência caso a Reforma da Previdência seja aprovada da forma como está, sem contemplar as especificidades das pessoas com deficiência. O CONADE pede que seja garantido o direito constitucional de respeito às diferenças e que seja aprovada a emenda nº 235 da senadora Serys Slhessarenko (PT/MT), que atendeu, na íntegra, o parecer do Conselho.
Participaram da manifestação as entidades de âmbito nacional que compõem o CONADE e entidades do Distrito Federal, a saber:
UBC - União Brasileira de Cegos;
FEBEC - Federação Brasileira de Cegos;
FENAPAE - Federação Nacional das APAEs;
FENASP - Federação Nacional das Sociedades Pestalozzi;
SBO - Sociedade Brasileira dos Ostomizados;
ABRA - Associação Brasileira de Autismo;
Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down;
CUT - Central Única dos Trabalhadores;
OAB - Ordem dos Advogados do Brasil;
ONEDEF - Organização Nacional de Entidades de Deficientes Físicos;
FEBIEX - Federação Brasileira de Instituições de Excepcionais, de Integração Social e de Defesa da Cidadania;
FENEIS - Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos;
SBMFR - Sociedade Brasileira de Medicina Física e Reabilitação;
CAS/DF – Conselho de Assistência Social do Distrito Federal;
CORDE/DF;
AMPARE – Associação de Mães, Pais, Amigos e Reabilitadores de Excepcionais;
CER – Centro de Ensino e Reabilitação;
Comissão Jovem Gente como a Gente;
APAED – Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais e Deficientes de Taguatinga e Ceilândia;
APAE/DF;
Sociedade Pestalozzi de Brasília;
FENEIS/DF;
APADA – Associação dos Pais e Amigos dos Deficientes Auditivos;
ABDV - Associação Brasiliense de Deficientes Visuais;
ADEGE – Associação dos Deficientes do Gama e Entorno;
ADAPTE – Associação de Apoio aos Portadores de Necessidades Especiais;
ADB – Associação dos Deficientes de Brasília;

Os senadores Flávio Arns (PT/PR) e Eduardo Azeredo (PSDB/MG) e os deputados Eduardo Barbosa (PSDB/MG) e Leonardo Mattos (PV-MG) participaram ativamente da manifestação.
Após a manifestação, uma comitiva formada por esses parlamentares e mais trinta pessoas, sob a coordenação do senador Flávio Arns (PT/PR), dirigiu-se ao Congresso Nacional e foi recebida pelo Presidente do Senado, senador José Sarney e pelo Vice-Presidente, senador Paulo Paim.
Na oportunidade o grupo pediu a ajuda de ambos para garantir os direitos das pessoas com deficiência na Reforma da Previdência. A senadora Serys Slhessarenko (PT/MT) participou da audiência com o senador José Sarney.

Fonte: Secretaria Executiva do CONADE – 07/10/2003

Perseverança sobre rodas

Autor: Danielly Viana

Gerdan Wesley


Falta de recursos ameaça associação que auxilia grupo de deficientes no Gama




Após um acidente de motocicleta em 1998, a vida do policial militar Luiz Maurício Alves dos Santos, 39 anos, mudou radicalmente. Uma lesão medular o deixou paraplégico e, a partir desse momento, ele observou que as barreiras e dificuldades no dia-a-dia são difíceis de serem ultrapassadas. Entretanto, Santos não desistiu e resolveu, ao lado de um grupo de deficientes, montar a Associação dos Deficientes do Gama e Entorno (ADGE), hoje com 530 deficientes cadastrados. A entidade, entretanto, passa por dificuldades para manter os trabalhos sociais realizados desde 2001.
"Vivemos de doações. Ajudamos e apoiamos os deficientes mais carentes que não têm condições financeiras, mas a situação está difícil", desabafa Santos - presidente da ADGE. Devido à falta de verba, até o telefone da associação (que antes servia para realizar o serviço de telemarketing com o objetivo de arrecadar fundos) foi cortado. Mas isso não intimida os associados, que lutam para orientar outros deficientes sobre os seus direitos. Entre eles, a política de fornecimento gratuito de ortose e prótese pelo governo, cesta-básica aos mais carentes e obrigatoriedade de empresas com mais de 100 funcionários de reservar em seu quadro entre 2% e 5% de vagas para deficientes.
"Muita gente não sabe de seus direitos", lamenta Santos. Segundo ele, quando a ADGE foi criada, a sede funcionava em sua casa, mas desde 2005 a Administração do Gama cedeu um espaço no Salão Comunitário (quadra 4 do Setor Sul do Gama), onde os associados realizam diversas atividades, mas que atualmente já precisa ser ampliada: "Precisamos de material de construção como ferragens, tijolos, cimento, areia e tinta".
A ADGE conta hoje com um time de basquete de cadeirantes batizado como Águias do Gama. Além disso, desenvolve um projeto de produção de cestas de banho feitas de papel jornal, o que ajuda um grupo de deficientes carentes. "As cestas estão sendo vendidas na ABC Papelaria, que nos faz a doação da cola, e também será fornecida a uma rede hoteleira", contou. Além da papelaria, a entidade conta com o apoio de duas outras empresas: a Disbrave, que disponibiliza um carro para transporte de material, e a Cinfel, no fornecimento de verniz para ser aplicado nas cestas como acabamento final.
Segundo Santos, cerca de 30 deficientes são assistidos pela entidade, com fraudas, cestas básicas e material de uso diário - como sonda, coletores e gases. "Estamos para receber nos próximos dias uma máquina para confecção de fraudas; uma doação do Centro Espírita Nosso Lar. Mas não temos como comprar a matéria-prima para fabricar as fraudas".

Um orgulhoso restaurador de cadeiras

Antônio Manoel de Sousa, 27 anos, pode ser considerado um exemplo de determinação. Deficiente físico, faz parte da ADGE e tenta, dentro do possível, ajudar outros deficientes. Nos fundos da casa onde mora com os pais, um pequeno barracose transformou principal fonte de renda. Ele conserta cadeiras de rodas, serviço que os deficientes não tinham na região do Gama.
"Estou trabalhando na associação há quatro meses. A entidade manda as cadeiras que precisam de manutenção", disse Sousa. Carismático e alegre, ele já conta com uma clientela fiel, mas também ajuda os que não têm como pagar pelo serviço. "Acabo fazendo o serviço de graça para os mais carentes. Muitas vezes, compro o material com o meu próprio dinheiro", contou. Segundo Sousa, sua deficiência não o impede de trabalhar: "Não é porque tenho deficiência que não sou capaz. Posso trabalhar para ajudar minha mãe e às pessoas".
Sua mãe, Santa Francisca de Sousa, 60 anos, fica orgulhosa: "Ele passa o dia inteiro na oficina. Tem vezes que ele esquece de almoçar ou jantar, e tenho que ficar chamando". Sousa faz a entrega das cadeiras com até dois dias. Segundo ele, não é possível demorar mais tempo porque é uma questão de necessidade. "A cadeira é o único meio de locomoção para essas pessoas", enfatizou.
Mas para continuar com a oficina, Sousa precisa de equipamentos de solda, máquina de costura, ferramentas, compressor de ar e pneus. Só dessa forma ele poderá realizar mais serviços e ajudar a associação e os deficientes.

Participação

Ângela Maria da Silva, 39 anos, participa da confecção na sede da ADGE: "Tive poliomielite aos 9 meses. Em 1994, fui atropelada e fiquei em uma cadeira de rodas. Voltei a andar, mas uma queda quebrou a rótula do joelho e voltei à cadeira". Segundo ela, a entidade tem projetos a serem desenvolvidos. "É uma forma de qualificação e capacitação para os deficientes excluídos da sociedade", contou Ângela.

Paciente acidentado em carro da Secretaria de Saúde está ainda internado, já esteve na UTI, e poderá retornar.

Leia o caso em matéria abaixo.




Estudantes desenvolvem óculos para deficientes visuais


Novidade em Sobradinho

Tiago testou o protótipo pelas ruas e aprovou a invenção
Estudantes desenvolvem óculos para deficientes visuais
Os robôs foram desenvolvidos por quatros estudantes, de 17 e 18 anos, de uma escola de Sobradinho. Feitos de sucata, os robôs têm sensores que identificam os caminhos que precisam percorrer. Agora, um novo protótipo chama a atenção.

Há seis meses, os estudantes tiveram a idéia de usar os sensores desenvolvidos para os robôs em óculos para deficientes visuais. O equipamento emite um som quando a pessoa se aproxima de um obstáculo. O sensor é preso aos óculos e é programado por computador. Fácil de usar e de carregar. Um bip dispara quando o usuário está a um metro de algum objeto.

O estudante Tiago Leão, que ficou cego há quatro anos, testou o equipamento. Ele já está bem adaptado à nova vida, mas conta que na rua existem perigos a todo o momento. Como uma placa de sinalização, orelhões... Que a bengala não pode detectar. “A principal fragilidade é na área superior, onde somos atingidos por carrocerias de caminhões e placas. A bengala só detecta a parte inferior”.

O projeto ainda será aprimorado. Os óculos vão ganhar sensores nas laterais e pode até vibrar. “Também a versatilidade. No caso, colocar algo sem fio seria mais interessante. A gente vai aprimorá-lo”, disse um estudante. “Ver o Tiago testá-lo e aprová-lo foi a melhor parte do projeto”, contou um outro.

“Em nenhum momento a gente pensou em comercializar. Já que está pronto e vimos que é eficaz, nada melhor que tentar passar isso à frente e disponibilizá-lo à sociedade, para que adaptem isso aos seus deficientes”, afirmou o professor Antônio Jacó.

Serviço:
Mais informações sobre os óculos no Centro de Ensino Médio de Sobradinho ou pelo telefone 3901-3113.

http://dftv.globo.com/Dftv/0,6993,VDD0-2982-20060710-176327,00.html

Thursday, July 06, 2006

Paciente acidentado em veiculo da Secretaria de Saúde esta intenado em hospital particular

Veja materia publicada neste site no dia 04 de julho

Hospital Regional do Gama: Faltam Anestesistas

Data : Quinta-feira 06 Julho 2006 - Bom Dia DF



Reportagem




Faltam anestesistas

Camila Guimarães / Giuliano Clay





Médicos residentes pedem o aumento do número de cirurgias eletivas
Médicos residentes do Hospital do Gama podem entrar em greve
Apenas as operações de emergência, de pacientes graves que chegam pelo pronto socorro do Hospital do Gama estão sendo feitas. As cirurgias chamadas eletivas, que são aquelas marcadas com antecedência, foram canceladas. Faltam anestesistas. Os 48 médicos residentes anunciaram um indicativo de greve e prometem parar. Eles explicam que a crise começou no início do ano e piorou em julho. Se antes o hospital tinha 21 anestesistas na ativa, hoje, restaram 11. A maioria saiu de férias. Apenas cinco estão trabalhando. Sem os anestesistas, não é possível fazer as operações.

“O nosso intuito é que aumente o número de cirurgias eletivas e que aumente o ambulatório de cardiologia”, afirma Rodrigo Dutra, médico residente.

Em maio, as cirurgias ginecológicas foram suspensas. Em abril, o hospital cancelou as operações gerais que estavam marcadas. Agora, as cirurgias ortopédicas também pararam por falta de anestesistas. Já são mais de 5 mil pessoas na fila de espera por uma cirurgia somente no Hospital Regional do Gama.

A médica residente Rosineire Marino está no segundo ano da residência em cirurgia geral. Diz que a situação nunca foi tão crítica. “É uma situação insustentável. Realmente, não tem como você formar um residente de cirurgia geral sem um centro cirúrgico eletivo”, diz Rosineire Mariano.

O subsecretário de Atenção à Saúde, Evandro Oliveira e Silva, se reuniu com os residentes ontem à tarde. Ele pediu um prazo até segunda-feira, dia 10, para resolver a carência de anestesistas. De imediato, criou uma nova tabela autorizando horas extras para cobrir as faltas.

“Nós conseguimos através de uma adequação da escala e de um aumento das horas-extras dobrarmos as cirurgias eletivas que podem ser realizadas no Hospital do Gama”, garante Evandro Oliveira e Silva.

O subsecretário garantiu também que a partir de segunda-feira, dia 10, o hospital terá reforço de dois médicos anestesistas.

Tuesday, July 04, 2006

Desatenção ao Diabético

Data : Quinta-feira 30 Junho 2005 - DFTV 2ª Edição



Reportagem






Antônio de Castro





Paciente não encontra medicamento em hospital
Falha de comunicação prejudica paciente com diabetes
Mais uma vez, Jéssica e a mãe foram buscar dois tipos de insulina no Hospital de Sobradinho.
Jéssica tem diabetes crônica, e precisa de duas doses do medicamento por dia. A resposta dada pela atendente foi, mais uma vez, que não há insulina. “Já tem cinco meses que está faltando insulina. Sempre falam que vai chegar. Tive um prazo de 1º de abril e, até hoje não chegou, não tem prazo que quando vai chegar. Vou ter que comprar a insulina, só que é muito caro”, lamenta Jéssica de Souza,estudante.

A responsável pela farmácia da Secretaria de Saúde, Eva Ferraz Fontes, se diz surpresa com essa reclamação. Ela garante que têm no estoque, hoje, 7 mil frascos de insulina. O suficiente para atender a todos os pacientes cadastrados no Programa de Diabetes. Para ela, tudo não passa de uma falha de comunicação entre funcionários das farmácias da rede pública de saúde. “Eu acho que o pessoal dentro do hospital precisa conversar melhor. A sala de diabéticos precisa conversar com a sala de farmácia para acertarem o quantitativo que vai ficar com eles. Este é o procedimento normal que deve ser seguido”, afirma Eva Ferraz Fontes, diretora da Assistência Farmacêutica

Quando foi investigar com mais cuidado, o diretor do hospital de Sobradinho disse que encontrou um tipo de insulina na geladeira. “Acredito que tenha tido uma falha”, argumenta Ronaldo Teodoro, administrador do hospital.

Jéssica já estava a caminho de casa, sem o medicamento. “Além da minha filha existem as crianças, adolescentes e adultos que precisam da insulina. Eu fico preocupada e chateada com a falta de respeito com o ser humano”, enfatiza Gioconda de Souza, mãe da Jéssica.

Amanhã a Jéssica vai voltar ao hospital, para buscar a insulina que está sobrando no estoque. A diretora da farmácia disse que só não mostraria o estoque hoje, porque estava em reunião no HRAN até o começo da noite.

Imagens: Mário Reis
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